Teca e Tuti
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Crítica: Teca e Tuti em Uma Noite na Biblioteca

Muita gente não sabe, mas existe cinema brasileiro de animação – e de alta qualidade! Como os outros filmes da nossa produção nacional, estes sofrem com a má distribuição e a concorrência desleal da produção estrangeira, que monopoliza salas de exibição. Assim, as animações brasileiras acabam chegando a um público pequeno, mas que se delicia com elas, seja uma animação 100% tupiniquim sobre seres mitológicos – como em “Além da Lenda” – ou animação voltada para um público adulto – como em “Bizarros Peixes das Fossas Abissais”. Animações brasileiras também costumam ficar longo tempo sendo gestadas – como é o caso de “Teca e Tuti: Uma Noite na Biblioteca”, que acaba de chegar aos cinemas para o deleite de quem é e quem já foi criança.

Teca é uma pequena traça que vive numa caixa de costura com sua tia e seus três irmãos adotivos mais velhos: Leo, Lipe e Lalica. Como todas as traças, eles se alimentam de tecido, fios de lã e papel. Quando Teca sai pela primeira vez com seus irmãos em busca de papel no ateliê de costura, ela encontra uma surpresa maravilhosa: um livro!

Levada sem querer pelo menino que mora na casa, Teca acompanha a avó e o neto em sessões de leitura. Aos poucos, passeando literalmente pelas palavras, ela aprende a ler. E recebe uma mensagem na folha de um livro: estão esperando por ela na biblioteca! Mesmo ouvindo que biblioteca não é lugar de traça, Teca se arrisca junto a seu fiel companheiro, o ácaro Tuti, e vai até a biblioteca, onde conhecerá João Ratão e a aranha Clarice, que a ajudarão a decifrar o mistério da mensagem e reforçarão o que Teca já sabe lá no fundo: livros são cultura, comida para a mente, não para o corpo!

Para as crianças, há músicas muito divertidas. Para nós um pouquinho mais velhos, uma grata surpresa: o compositor destas canções é Hélio Ziskind, que esteve presente na nossa infância como compositor de músicas icônicas dos programas Cocoricó, Castelo Rá-Tim-Bum, Glub Glub e X-Tudo. Consultor musical da TV Cultura entre 1992 e 1994, pelas suas composições infantis Hélio ganhou até prêmios internacionais e é ainda lembrado com carinho por milhares de pessoas, incluindo eu.

O trio de diretores Eduardo Perdido, Tiago MAL e Diego M. Doimo idealizou o longa quando eram alunos do último ano da graduação em Imagem e Som da UFSCar. Da ideia ao filme pronto passaram-se vinte anos, dos quais doze foram gastos com a animação quadro a quadro. Segundo Tiago MAL, a ideia sempre foi trazer uma mensagem positiva sobre a leitura para as crianças:

“A gente tem que valorizar a cultura. A gente aproveitou essa personagem, que a gente pega exatamente o momento em que ela aprende a ler e traz para as crianças para tentar espelhar isso no comportamento delas”.

A animação, que inclui stop-motion e 2D, consegue transformar animais como traças, ratos e aranhas em seres fofinhos, totalmente “paz e amor”. Há também a história em live action do menino leitor e sua avó, que se mistura bem à parte animada.

Os adultos se divertirão muito reconhecendo os personagens do Mundo Atrás da Estante, mítico universo povoado pelos protagonistas dos livros presentes na biblioteca. Há outros Easter eggs, como uma homenagem a Méliès e sua icônica Lua atingida no olho por um foguete.

Mirando no público infantil e conseguindo acertar no alvo e também na memória afetiva dos mais crescidinhos, “Teca e Tuti: Uma Noite na Biblioteca” demorou a ficar pronto, mas saiu caprichado. Leve as crianças ao cinema e você não sairá de lá decepcionado.

Crítica: Teca e Tuti em Uma Noite na Biblioteca

Crítica: Teca e Tuti em Uma Noite na Biblioteca
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