Predador suaviza e acerta em “Terras Selvagens”

Chegou o Predador da Disney? Sim, “Predador: Terras Selvagens” é exatamente isso. A casa do Mickey após a compra da 20th Century Fox (hoje 20th Century Studios) adquiriu três das franquias mais valiosas da cultura pop: “Alien”, “Planeta dos Macacos” e “Predador”. Podemos dizer que a retomada das três no cinema foi acertada, ainda que…


Predador terras selvagens

Chegou o Predador da Disney? Sim, “Predador: Terras Selvagens” é exatamente isso. A casa do Mickey após a compra da 20th Century Fox (hoje 20th Century Studios) adquiriu três das franquias mais valiosas da cultura pop: “Alien”, “Planeta dos Macacos” e “Predador”. Podemos dizer que a retomada das três no cinema foi acertada, ainda que haja erros aqui ou ali, houve respeito pelos cânones. No caso do alienígena caçador, que surgiu nos cinemas há 38 anos oferecendo perigo real a Arnold Schwarzenegger, aconteceu algo que vimos em outra franquia protagonizada pelo austríaco: o outrora vilão se tornando mocinho em uma continuação, além da suavização em geral para permitir um público mais novo e, consequentemente, bilheterias mais polpudas.

Em “Terras Selvagens”, a clássica franquia ganha novos contornos ao explorar um enredo de redenção e parceria improvável. Em um planeta distante e hostil, um jovem predador exilado de seu clã tenta reconquistar sua honra enquanto enfrenta um ambiente repleto de perigos e caçadores sedentos por sangue. Quando cruza o caminho de Thia (interpretada por Elle Fanning), uma ciborgue movida pela sobrevivência, nasce uma aliança inesperada. Unidos pela necessidade, os dois mergulham em uma jornada brutal de aprendizado e confiança mútua, onde cada batalha revela algo sobre coragem, lealdade e identidade. Entre combates épicos e dilemas morais, o filme promete reinventar o mito do predador, transformando o caçador em um guerreiro em busca de propósito.

Essa não é a primeira produção da franquia feita sob a gestão da Disney. Em 2022 foi lançado direto para streaming o longa “O Predador: A Caçada”, que rendeu boas críticas e redimiu a série após o pavoroso “O Predador”, de 2018. Como foi bem-sucedido na tarefa de revigorar a marca, o diretor Dan Trachtenberg foi convidado a retornar para um projeto ainda mais ambicioso que se desenha um futuro bastante claro para o Predador, o que fãs poderão perceber como inevitável. E, mais uma vez, Trachtenberg procura explorar esse universo com o máximo de respeito e reverência aos filmes originais, porém mantendo a sua própria personalidade.

Essa personalidade não impediu que o estúdio impusesse algumas condições. Apesar de haver uma violência (afinal de contas seria um tremendo tiro no pé irritar os fãs com a ausência ainda que parcial desse elemento na trama), tudo é suavizado com algumas piadocas e até uma certa fofura de uma criaturinha que forma com Dek e a androide uma estranha família e seu “pet”. Quanto às cenas mais brutais, elas tem como vitimas monstros alienígenas ou sintéticos, justamente para não chocar demais os mais novos. A direção pode até ser menos arrojada desta vez, mas aqui ele realiza o ofício com capricho, tornando atraente um mote que em mãos erradas poderia se esvair rapidamente.

Assim como no longa anterior, aqui temos um protagonista buscando se provar (também há a comparação com um irmão mais apto), o que muda é que, no caso, esse é o arco de um predador e não de um humano. Há espetáculo, mas no geral, o tom minimalista de “A Caçada” foi mantido, com um elenco reduzido, de apenas cinco pessoas.

Dessa vez o cenário é uma floresta de um planeta onde seres humanos não sobrevivem (daí apenas sintéticos serem enviados) e a criação desse universo é interessante, mas nada de muito surpreendente ou novo. Parece por muitas vezes uma versão mais opressora do planeta Pandora de “Avatar”. Os efeitos especiais são bastante convincentes e Elle Fanning interpretando a androide Thia dá a “humanidade” à trama, enquanto o predador de Dimitrius Schuster-Koloamatangi transmite um certo carisma e até gera empatia com o espectador, apesar de manter a cara feia e falar no seu idioma o tempo todo – o que pode ser um problema para o público estadunidense não muito afeito a legendas.

“Predador: Terras Selvagens” não é o melhor da franquia. Posiciona-se em quarto lugar, logo atrás do anterior (aas medalhas de prata e de bronze ainda estão intocadas, pertencendo ao segundo e ao original respectivamente). No entanto, aponta para um simpático novo rumo da franquia (e um esperado crossover)que deve mesmo ser uma das prioridades do estúdio para os próximos anos. Não é perfeito, mas traz alívio por mostrar que, depois de muitos percalços, as coisas parecem estar entrando nos eixos no universo dos icônicos caçadores alienígenas.

Predador: Terras Selvagens

Predador: Terras Selvagens
7 10 0 1
Nota: 7/10 – Ótimo
Nota: 7/10 – Ótimo
7/10
Total Score iÓtimo