Pluribus
CríticasSériesTV

Crítica de Pluribus, nova série de Vince Gilligan

A série Pluribus, criada por Vince Gilligan, surge como uma das propostas mais instigantes da televisão recente ao imaginar um apocalipse que não destrói cidades nem devasta recursos, mas transforma radicalmente a natureza humana. Um vírus alienígena elimina sentimentos e instala uma sociedade marcada pela gentileza compulsória, onde conflitos desaparecem e a utopia se torna uma sociedade estática. Nesse cenário, a protagonista Carol Sturka, interpretada por Rhea Seehorn, aparece como a única imune em um episódio inicial espetacular, onde o espectador fica preso na cadeira.

Incapaz de se adaptar à nova harmonia e condenada a viver em permanente atrito com um mundo que já não reconhece como seu, Carol começa a se aventurar neste novo universo.

Pluribus series criticas ambrosia

O mérito da série está na originalidade de sua premissa na desagradável e infeliz Carol, que torna-se paradoxalmente a heroína da narrativa, justamente por resistir ao apagamento da individualidade. Gilligan constrói uma atmosfera inquietante, em que a calma artificial se revela tão perturbadora quanto qualquer cenário de violência. A performance de Seehorn sustenta essa ambiguidade, oferecendo uma protagonista que desafia convenções e obriga o espectador a refletir sobre os limites da felicidade e da coletividade.

Entretanto, Pluribus não escapa de fragilidades e acaba se perdendo em uma boa ideia. O ritmo da série se torna irregular e compromete a fluidez da trama. A série opta por por responder perguntas secundárias e ensaiar o cotidiano bizarro de Pluribus, deixando a questão central em segundo plano. Em certos momentos, o debate ético e filosófico perde sutileza e a série desanda enfraquecendo a potência da ambiguidade que a série inicialmente propõe — preferindo no lugar saciar fantasias românticas dos escritores da série. Com isso personagens principais e secundários parecem pouco desenvolvidos, o que limita o potencial da série para uma novela bem produzida.

Pluribus series criticas

Pluribus é uma série que, mesmo irregular, teve coragem de propor uma distopia diferente da tradicional aventura com tiros e explosões, porém seu ritmo parece fadar à mesma apatia dos membros da coletividade.

Deixe um comentário

Sugeridos
Thunder Hoop Collection (QUByte Classics)
CríticasGames

Thunder Hoop Collection: o segundo conserta o que o primeiro estragou

A QUByte Classics juntou dois arcades da Gaelco na Thunder Hoop Collection:...

5b1aad8eff4579d3ed29f194435f3f49f629f6c64373b368cb390473a6029a9e
CríticasGames

Apidya’ Special: a abelha morre, a voz repete e a paciência acaba

Apidya’ Special é a refeitura de um shmup do Amiga lançado em...

Froggy Hates Snow
CríticasGames

Froggy Hates Snow quase frita o “Switão” em nome da diversão.

Um sapo, um deserto congelado e uma bolha de calor da qual...

Manairons
CríticasGames

Manairons e sua falta de “Tompêrro”

Manairons é um platformer 3D de ação que bebe do folclore catalão...

Kitchen Wars
CríticasGames

Kitchen Wars: o restaurante pega fogo, mas o cardápio é curto

Overcooked e Moving Out ensinaram muita gente a gritar com os amigos...

City Hunter
CríticasGames

City Hunter: divertido e mal maturado.

City Hunter nasceu em 1990 no PC Engine, baseado no mangá de...

Leste do eden ambrosia critica
CríticasSériesTV

Leste do Éden constrói um linda história sob olhar cortante

Existe uma carga poética e quase inescapável na adaptação de Leste do...

The Holy Gosh Darn
CríticasGames

The Holy Gosh Darn: o roteiro salva o céu

Confesso que não me motivo muito com jogos sem muita mecânica de...

Voidwrought
CríticasGames

Voidwrought: faz o óbvio melhor que todo mundo

Às vezes basta fazer o óbvio melhor do que todo mundo, e...

Contos Paralelos
CríticasFilmes

Festival do Rio 2026 – “Contos Paralelos” e a Fronteira Difusa Entre Fato e Ficção

Asghar Farhadi constrói elaborado meta-drama parisiense inspirado em Kieślowski e Hitchcock, que...