Super Mario Galaxy é uma loja de doces

Super Mario Galaxy: O Filme amplia o universo do personagem com ação e referências, mas peca pelo excesso e falta de equilíbrio narrativo.


Mario Galaxy

Sequência aposta no espetáculo e na nostalgia, mas exagero de estímulos transforma a experiência em algo tão encantador quanto cansativo.

A Nintendo está mesmo firme no propósito de estabelecer um universo cinematográfico, e não era de se estranhar que a gigante dos games iniciasse a empreitada com seu maior símbolo: o encanador italiano Mario. Super Mario Galaxy: O Filme chega três anos após a primeira aventura do personagem, criado originalmente como o herói do game Donkey Kong Jr., antes de ganhar vida em um jogo solo que o transformaria em um dos maiores ícones da era dos videogames. Seguindo a tradição das continuações, este segundo longa busca expandir o universo apenas pincelado na primeira parte — algo que os trailers já deixavam bastante claro.

Nessa nova aventura, baseada no título homônimo para Nintendo Wii, o herói mais icônico dos games deixa o solo firme do Reino dos Cogumelos para trás em uma jornada que desafia a gravidade. Após garantir a paz em seu lar, Mario, Luigi e Peach partem para o cosmos em uma odisseia espacial sem precedentes, onde o perigo assume a forma de um antagonista inédito: o filho de Bowser que sequestra a princesa Rosalina para usar seu poder e dominar o universo.

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Super Mario Galaxy é como quando você, ainda criança, entrava em uma loja de doces com aquela tia ou madrinha generosa que bancava toda a sua gula. Era delicioso se empanturrar de todo aquele açúcar cromado — mas a inevitável ressaca depois do excesso também vinha. A continuação de Super Mario Bros.: O Filme busca proporcionar um equivalente à euforia da entrada nessa loja. E até consegue. Mas também reproduz o efeito colateral após tanto estímulo.

Mais uma vez assinado por Matthew Fogel, o roteiro aposta no “maior, mais rápido e mais ruidoso”, fórmula clássica de continuações de blockbusters. O problema é que, Entre saltos entre planetas, cenários delirantes e referências arremessadas — muitas vezes sem a devida contextualização — sobra pouco tempo para respirar e processar o que está acontecendo. Se no primeiro longa, muito por conta da apresentação dos personagens e daquele universo, havia uma preocupação em equilibrar ação, referências aos games e algum desenvolvimento de personagens, aqui a prioridade parece ser jogar o espectador em uma piscina de doces. Os fãs da Nintendo certamente irão se deleitar, mas os não iniciados podem se sentir em desvantagem na brincadeira.

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O mesmo trio de diretores do filme de 2023 — Aaron Horvath, Michael Jelenic e Pierre Leduc — parece ter sido orientado a não deixar o espectador pensar muito. Ou melhor, a pensar como se estivesse com o joystick nas mãos, focado não na narrativa em si, mas no objetivo a ser alcançado. Afinal, o roteiro de Fogel é estruturado como uma missão de game, assim como no anterior — só que sem a mesma sagacidade. Aqui, o novo amigo de Mario e Luigi, o dinossaurinho Yoshi, funciona como um facilitador no roteiro da mesma proporção que um cheat code para passar de fase. Se há um apuro aparentemente intransponível, ele resolve com seu “poder” de abocanhar. Depois de sua segunda intervenção, fica claro que a sensação de perigo está esvaziada na trama.

Crianças menores irão se entreter, sem a menor dúvida — este filme, inclusive, parece ainda mais direcionado a elas. Gamers e fãs da Nintendo também farão a festa no cinema, a exemplo do fenômeno quase ritualístico visto com Minecraft no ano passado. O CGI continua belíssimo, conferindo mais vida e textura ao que já impressiona nos consoles.

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Super Mario Galaxy: O Filme não vai além da celebração de uma franquia com mais de 40 anos — e, claro, da venda de produtos licenciados. Nesse sentido, a produção é honesta e acerta em cheio. Ao mesmo tempo, planta a expectativa para um possível Super Smash Bros. no cinema. Até lá, outras adaptações devem pavimentar o caminho — The Legend of Zelda já está a caminho — até que todos os personagens do que já podemos chamar de NCU (Nintendo Cinematic Universe) estejam devidamente estabelecidos nas telonas. Levando em conta que 2026 ainda terá Mortal Kombat II e um novo Street Fighter, quem apostava que adaptações de games poderiam substituir os filmes de super-heróis talvez já possa considerar isso uma realidade.

Super Mario Galaxy: O Filme

Super Mario Galaxy: O Filme
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Nota: 6/10 – Bom
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