Aos 81 anos, o arquiteto do som do Deep Purple e do Rainbow redefine o conceito de turnê, priorizando a saúde e a estabilidade em Long Island.
Para muitos, a ideia de uma “turnê de Ritchie Blackmore” evoca grandes arenas e o peso histórico do rock clássico. No entanto, a realidade do instrumentista em 2026 é outra. Afastado dos palcos desde novembro de 2025, o eterno guitarrista do Deep Purple enfrenta desafios de saúde que tornam a vida na estrada, como a conhecemos, praticamente inviável. Entre hérnias de disco, gota e quadros severos de enxaqueca — agravados por uma crise de vertigem que exigiu intervenção médica de emergência no ano passado —, Blackmore prioriza agora o que chama de sua “zona de conforto”.
Em conversa com a Ultimate Classic Rock (via Igor Miranda), o músico foi transparente sobre os motivos que o levam a frear o ritmo: não se trata apenas de idade, mas de um histórico que remonta à infância. “Desenvolvi uma espécie de fobia de viajar para muito longe. É um problema estranho, que vem desde os tempos em que, ainda criança, passava mal em viagens de ônibus”, confessa.
A nova estratégia: Conectividade geográfica
A solução encontrada pelo mentor do Blackmore’s Night para conciliar a paixão pelo palco com as limitações físicas é um modelo de “hiper-localismo”. Blackmore declarou que, embora o desejo de tocar continue latente — ele afirma praticar o instrumento diariamente —, suas futuras apresentações serão restritas a um raio de aproximadamente 50 a 60 quilômetros de sua residência, em Long Island, Nova York.
A decisão é uma resposta direta à fragilidade de seu equilíbrio físico. O guitarrista relata que longos trajetos, como a última viagem entre a Pensilvânia e Nova Jersey, desencadeiam desdobramentos clínicos sérios. A experiência traumática no hotel — que culminou em um diagnóstico de vertigem severa e hospitalização — serviu como um divisor de águas: o palco é essencial, mas a estrada tornou-se um risco proibitivo.
O legado em um novo formato
Desde que fundou o Blackmore’s Night em 1997, Ritchie encontrou no folk e na sonoridade medieval um caminho para preservar sua genialidade longe das tensões inerentes às bandas de arena. Com 11 álbuns de estúdio lançados, o projeto segue sendo o veículo pelo qual ele revisita clássicos de sua carreira — como a inescapável “Soldier of Fortune” — ao lado de composições que exploram novas texturas acústicas.
A postura de Blackmore, embora frustrante para quem esperava vê-lo em grandes turnês mundiais, é um lembrete importante sobre a longevidade no rock. O músico que ajudou a moldar o hard rock mundial nos anos 70 hoje escolhe suas batalhas, entendendo que o ato de performar não precisa estar atrelado ao caos logístico da indústria.
Para os fãs, resta a adaptação: o lendário guitarrista não irá mais até o público; o público é quem precisará ir até o seu refúgio em Long Island.








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