O mercado internacional de arte registrou um marco histórico nesta jornada. O quadro “Íris” (Les Iris), pintado pelo mestre impressionista francês Claude Monet (1840–1926) no crepúsculo de sua vida, foi arrematado por 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 282,5 milhões). Com o feito, a tela tornou-se a obra de arte mais cara já vendida em um leilão no território francês.
A disputa, realizada em uma prestigiada casa de leilões da capital francesa, atraiu colecionadores e investidores do mundo inteiro. O lance final superou as estimativas mais otimistas e consolida a força do impressionismo no topo do mercado global de grandes coleções.
Criada nos últimos anos de vida do pintor em sua célebre propriedade em Giverny, a tela retrata as íris do jardim que o próprio artista cultivou e usou como fonte inesgotável de inspiração. O período de criação da obra é considerado um dos momentos mais fascinantes e dramáticos da carreira do pintor.
Na velhice, Monet enfrentou a perda progressiva da visão devido à catarata, condição que alterou profundamente sua percepção de cores e formas. Em vez de interromper o trabalho, o artista intensificou suas pinceladas, tornando-as mais gestuais, densas e expressivas. Essa abordagem inovadora é apontada por historiadores como uma das precursoras da arte abstrata do século XX. Na tela, as cores vibrantes de roxo, azul e verde revelam a busca obstinada do mestre pela luz e pela natureza, mesmo diante da cegueira iminente.
O arremate de “Íris” reconfigura o mapa do mercado de arte europeu. Vendas dessa magnitude costumam se concentrar nos eixos de Nova York e Londres, de modo que o resultado alcançado hoje reforça a posição de Paris como um dos grandes polos mundiais para leilões de alta precisão.
A identidade do comprador não foi revelada pela casa de leilões, que informou apenas que o lote foi arrematado por um lance telefônico após uma disputa acirrada entre três grandes colecionadores internacionais. Com esta transação, “Íris” entra definitivamente para o grupo das telas mais valiosas da história e reafirma o legado imortal de Claude Monet para a história da pintura.


















