Nunca mais eu subestimo um filme de Denzel Washington e dos Irmãos Hughes. Nunca mais! Se a venda de ingressos para o filme não foi lá essas coisas, eu só posso colocar a culpa no trailer que passa a impressão de que o filme em verdade é ação do começo ao fim, quando, em verdade, as cenas de ação, que realmente são muitas, se tornam figurantes de um filme muito mais profundo do que se aparenta.
Eu tentarei evitar os spoilers e farei uma sinopse simples. Em um futuro não muito distante, a humanidade foi aniquilada por uma guerra nuclear e os poucos sobreviventes lutam por água e comida, sem sequer ter muita idéia do que aconteceu e de como simplesmente os homens entraram e terminaram a guerra. Caminhando pelo deserto do meio oeste americano, encontramos Eli (Denzel Washington), que simplesmente tem uma missão e nada pode impedí-lo.
Essa premissa Mad Max de ser esconde algo mais que somente começamos a perceber pelos pequenos detalhes escondidos nas cenas. Eli chega até uma cidade procurando um pouco de energia elétrica para seu ipod e água para seguir em frente. Só que sem saber, o dono desta cidade, chamado Carnegie (Gary Oldman), está em busca de um livro muito poderoso, que pode colocar milhões a seus pés e literalmente transformar o mundo destruído em algo controlável. Não, o livro não tem nenhum poder mágico, é somente a bíblia cristã.
A razão da busca por esta bíblia é que no que veio após a guerra, todas as bíblias foram destruídas. Sem bíblias, não se tem a palavra de Deus e sem isso, não há como recriar a religião que morreu com a guerra. Eli tem consigo uma bíblia, só que seu propósito é o de depositá-la em um local seguro e não a entregar a qualquer um que a pedir, mesmo oferecendo mulheres como Solara (Mila Kunis), filha de sua esposa, Claudia (Jennifer Beals), que é cega.
Juntamente de Carnegie, está seu braço direito, Redridge (O grandalão Ray Stevenson), que é apaixonado por Solara e a pede em troca do livro (raramente o livro é chamado de bíblia durante o filme). Só que nisso Solara já fugiu com Eli em meio a muito tiroteio e pedaços de pessoas voando (aquele facão é mais afiado que um sabre de luz).
Obviamente que o filme não é tão raso quanto eu descrevi, mas é que para entrar em detalhes, eu teria que lançar uma série de spoilers. Porém, acreditem, os minutos finais do filme fazem você rever ele inteiro na sua cabeça e começar a pegar os pequenos detalhes escondidos. E é aí que entra Denzel Washington. Em momento algum ele deixa transparecer nada, até que finalmente o filme chega a seu ápice e vemos a importância da luta daquele homem para levar o livro são e salvo até seu destino, que o próprio Eli não sabia até chegar lá.
Os irmãos Hughes ficaram mal falados na comunidade dos nerds de quadrinhos devido à sua sofrível adaptação de “Do Inferno”, porém, mesmo naquele filme percebia-se algo mais na capacidade de gerir um filme com precisão. E aqui eles fazem isso. O roteiro, mesmo com alguns buracos que não são preenchidos de propósito, dão ao espectador a possibilidade de imaginar o que houve, ao contrário de outros filmes que mascam e vomitam tudo, sem deixar espaço para imaginação.
Para os fãs de videogames, o visual do filme está muito parecido com o do jogo Fallout 3. Locações, roupas, carros destruidos por toda parte. Só faltou o Peep boy 3000.
É um daqueles filmes que obrigam as pessoas que acompanham a sétima ate a rever certos conceitos e eu com certeza vou começar a assistir todos os próximos longas metragens dos Irmãos Hughes e de Denzel Washington com outros olhos.
J.R. Dib











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