Eu Sou a Lenda em quadrinhos

Desde que Bram Stoker deu vida literária ao mito do vampiro, temos sido invadidos por toda espécie de criatura vampírica. Há pouco tempo, tivemos uma leva de vampiros juvenis que vivem romances com belas humanas, para citar alguns, tivemos o Edward Cullen da série Crepúsculo, o Stefan Salvatore de Diários de vampiros, entre outros. Outra tendência atual é abordar a condição desses seres de uma forma que a ação do confronto fique em segundo plano. Nesse caso, o vampirismo serve para narrar uma outra história. Um bom exemplo dessa tendência é o já clássico livro de Richard Matherson, Eu Sou a Lenda, que ganha uma incrível adaptação em quadrinhos, escrita por Steve Niles e desenhada por Elman Brown.

Publicada originalmente em 1991 pela Eclipse, recuperada pela IDW Publishing e trazida ao Brasil pela Devir Livraria, Eu sou a lenda (I am Legend, tradução de Marquito Maia, 248 páginas) consegue nas primeiras páginas assumir a história original de forma tão intensa, que destaca e torna nítido o que foi monótono no original. A versão dá ao texto de 1954 a versatilidade da narrativa gráfica.

Niles e Brown resgatam o ambiente pós-apocalíptico, amargo e desesperado de Robert Neville, o ultimo bastião da humanidade que luta contra as crescentes hordas de vampiro que se transformaram todos os seres humanos. A primeira vista,  Eu Sou a Lenda poderá chocar, esbarrando no que encontramos na série 30 dias de noite. Ao contrário de sua famosa criação, Niles coloca longos blocos de textos, que poderá tornar a leitura cansativa. Há páginas que Niles reproduz na íntegra parágrafos inteiros do livro de Matheson, reduzindo o competente trabalho de Brown. Apesar de não ser condensado como outras adaptações, o álbum consegue superar pela linguagem simples e poética que o protagonista descreve sua solidão e suas dúvidas. É notório classificar o argumento de Niles como um ensaio sobre o relativismo e a subjetividade do que vive o protagonista.

Já Brown acompanha perfeitamente a leitura do texto de Matheson Niles com um traço que cobre o protagonismo. Usando o traço à moda antiga – como em Contos da Cripta – com nanquim e bico de pema, o ilustrador dá à graphic um estilo que poderá estranhar os leitores acostumados com os quadrinhos de hoje, mas com certeza irá agradar os mais nostálgicos.

Alguns fãs do gênero poderão ficar até relutantes pelo trabalho da dupla. Entretanto a graphic novel difere do livro, principalmente por conseguir notar a ironia que Matheson destina a história, algo que nem as quatro adaptações para o cinema fizeram, inclusive a última com Will Smith, e que Niles conseguiu absorver com maestria: os vampiros são somente uma lenda ou é Robert Neville um monstro lendário num mundo enlouquecido? Enfim, uma adaptação à altura do original.

2 COMENTÁRIOS

Tom the Postgirl: a carteira que viu demais

Quem lembra de Paperboy sabe que entregar coisas de...

Crítica: Club Kid

No cenário cinematográfico contemporâneo, poucos trabalhos conseguem capturar a...

Dungeons & Degenerate Gamblers: nem todo carteado precisa de reinvenção

Depois que Balatro estourou, choveu roguelike de carteado, e...

Supla lança “English Birds”

Single é inspirado nas musas dos anos 1960 de seus ídolos do rock

“Um Homem Célebre” no Centro Cultural Justiça Federal

A companhia teatral de Juiz de Fora (MG) Trupe...

Music Drive: Chase the Beat: malandragem brasileira no volante

Jogo nacional sempre ganha um olhar mais atento por...

Pixel Zoo Ocean promove viagem sensorial e educativa pelo fundo do mar

O Pixel Zoo Ocean é uma experiência imersiva criada...

18º Prêmio FITA de Teatro anuncia indicados

O Prêmio FITA de Teatro 2026 anunciou hoje os...

Sizeable: não gostar não quer dizer que é ruim

Tem jogo que é difícil de descrever e fácil...