AmbrosiaFilmes

“Diana” torna folhetim uma história de vida claramente cinematográfica

Lady Diana exerce sobre mim um fascínio meio inexplicável. Na verdade, isso vem da dimensão intrigante que a vida dessa mulher agregou ao longo de quase 20 anos de uma vida pública e devassada, em que muitos de seus atos exprimiam a contradição e a humanidade de um indivíduo diante de uma representatividade maior até que a si mesma. Há anos que se espera um filme que retrate essa mulher, para além dos vários telefilmes já feitos.
Diana” parecia suprir essa carência, ainda mais com a direção do alemão Oliver Hirschbiegel, responsável por um dos melhores filmes acerca de Hitler (“A Queda”), e a escalação da competente Naomi Watts para viver a protagonista. Mas eis que o roteiro não alcança a responsabilidade de seu próprio título. Se o filme que se propõe a contar (ainda que) um recorte de um mito e se intitula pelo nome da retratada, não pode se dar ao luxo de querer representar um todo por uma relação em si (baseada em fatos nunca comprovados, mesmo por vértices ainda vivos da História), ainda que a trama indique que essa relação seja preponderante para o clímax derradeiro na vida de Diana.

A trama se concentra nos dois últimos anos da princesa, quando conhece o cardiologista Hasnat Khan (Naveen Andrews), com quem tem uma relação secreta. Quando o relacionamento se torna inevitavelmente público, Diana e Hasnat têm dificuldade em lidar com a pressão mediática e uma decisão tem que ser tomada.

naomi-watts-diana

Talvez se delimitasse seu próprio plot, o resultado seria menos caduco, como o filme de 2009, “Coco Chanel & Igor Stravinsky”, que contava a relação específica da lendária estilista com o compositor. “Diana”, o filme, apresenta uma Diana, a mulher, banalizada na romantização de seus anseios. Toda a complexidade de sua trajetória, todo a problematização de sua personalidade e todo conflito que isso agregaria a uma ficção, é mimetizado num (quase) melodrama de amor entre um plebeu e uma ex-plebeia, que o roteiro insiste em querer nos convencer que metaforiza a vida da Princesa de Gales. Hirschbiegel é um diretor talentoso. A forma como introduz e, ainda mais, como termina sua história é ótima, ilustrando profundidade a fatos que já conhecemos. Naomi, uma atriz sempre brilhante, também faz o que pode diante de tamanha armadilha dramática. Diana ainda não teve um filme a altura de sua vida, muito pelo fato de Diana, o filme, cair na armadilha que tanto perseguiu a própria Diana em vida: deixar-se levar pela romantização e coisificação do título, em detrimento de uma real radiografia da mulher. O fascínio pessoal continua. Assim como a carência de uma reiteração audiovisual dessa impressionante dimensão…

[xrr rating=2.5/5]

Deixe um comentário

Sugeridos
FilmesGamesTrailersVideos

‘Street Fighter’ Inova ao Lançar Trailer Jogável em Clima de Arcade Anos 90

Prévia interativa no YouTube Playable permite que fãs executem combos e golpes...

AstrosFilmes

Tim Curry (1946–2026): O Sorriso Sombrio que Iluminou a Cultura Pop

De cientista louco de salto alto em Rocky Horror a palhaço demoníaco...

CríticasFilmes

Nosso Segredo: A Materialização do Luto e a Casa-Quilombo de Grace Passô

Duas décadas após transformar o teatro brasileiro com a peça Amores Surdos,...

FestivaisFilmesNotícias

Première Brasil Anuncia 101 Filmes Selecionados para o Festival do Rio 2026

Escolhida entre quase 1.500 inscritos, a safra da 28ª edição do evento...

CríticasFilmes

‘Coyote vs. Acme’ é sagaz na proposta e no desenvolvimento

Longa resgata a nostalgia dos desenhos clássicos em uma sátira inteligente que...

AstrosFilmesListasMúsica

Dolly Parton e Suas Parcerias Mais Inusitadas

De duetos com os Beatles e Sylvester Stallone a participações em comédias...

CríticasFilmesLançamentos

Champagne (2026): uma inesquecível viagem de pai e filho

Ali pela metade do filme holandês “Champagne”, Hans está conversando com um...

FilmesNotícias

Frozen 3 e 4: Tudo o que a Disney revelou sobre o Destino de Elsa e Anna na D23

Josh Gad classificou o terceiro longa como o mais divertido da franquia...