Crítica: "Como Treinar o Seu Dragão 2" é uma versão aditivada do antecessor

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No início da década passada, a Dreamworks entrou na luta por um lugar ao sol no ramo da animação CGI, que até então era dominada pela toda poderosa Pixar. Junto com o estúdio fundado por Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen vieram a Blue Sky, departamento de animação da Fox e a Universal que também se lançou nesse campo que então era novidade. Porém foi a Dreamworks com “Shrek” que fez frente ao reinado da Pixar, com um estilo de personagem bastante característico: o anti-herói. Na animação da Dreamworks é comum sermos apresentados à trajetória do pária, do excluído ou simplesmente daquele que a principio foi feito para não dar muito certo. Como exemplo, além do famoso ogro, temos o Leão Alex de “Madagascar”, o Megamente e Soluço, jovem filho do líder de uma tribo nórdica que era constantemente atacada por dragões. Até que ele adota e doma um exemplar da espécie e se torna o herói que jamais pensou que se tornaria.
Essa era a premissa do simpático “Como Treinar o Seu Dragão” de 2010, que pegava carona no início da febre de animações 3D (hoje a tecnologia parece ter mesmo se tornado obrigatória). Com um personagem central carismático – uma especialidade do estúdio – e o dragão do título com uma esquisitice graciosa, não foi muito difícil que a animação se tornasse um sucesso instantâneo, e, assim sendo, uma continuação seria imediatamente encomendada.
Agora chega aos cinemas “Como Treinar o Seu Dragão 2” (“How To Train Your Dragon 2”, E.U.A/2014), que dá continuidade às aventuras de Soluço e o dragão Banguela.

Cinco anos após os eventos do primeiro longa, a aldeia está convivendo harmoniosamente com os dragões que outrora eram uma ameaça. São até usados em um jogo muito semelhante ao quadribol do Harry Potter. Stoico (Gerard Butler), pai de Soluço (Jay Baruchel), continua firme no propósito de fazer dele o novo líder da comunidade, mas o jovem ainda não se sente preparado. A paz do grupo é no entanto, ameaçada pelo maligno domador de dragões Drago (Djimon Hounsou), que transforma os monstros em terríveis ameaças. Também cruza o caminho de Soluço a misteriosa Valka (Cate Blanchett), que também vive em harmonia com dragões. Caberá a Soluço, Banguela e os guerreiros proteger os dragões e a aldeia para que não sucumbam a Drago.
Como toda continuação, o filme basicamente repete a fórmula do anterior só que aditivada: mais personagens, mais ação, mais aventura, técnica de CGI e 3D mais apuradas, e claro, mais dragões em cena. O resultado como um todo é até satisfatório, mas sofre de alguns problemas inerentes a partes 2 que são concebidas única e exclusivamente para dar longevidade aos lucros do primeiro. No caso aqui, não só bilheteria, mas toda a sorte de produtos licenciados que se possa imaginar. A princípio, a história do antecessor fechava tão bem que não despertava nenhuma curiosidade em saber o que aconteceria depois. E de fato, o argumento da parte 2 se mostra bem menos atraente. Alguns personagens ficam subaproveitados, como é o caso do caçador de dragões Eret (Kit Harrington, o Jon Snow de Game of Thrones), que apenas prepara o terreno para a verdadeira ameaça da trama, que demora muito para se revelar na ação. Longas cenas de voo com os dragões também são usadas para preencher o tempo.

Ficou claro que desta vez o diretor Dean DeBois (também responsável por “Lilo & Stich”) quis imprimir um tom mais épico – certamente almejando um público um pouquinho mais velho – mas que se alterna de maneira conflitante com o tom engraçadinho que fora predominante na parte 1. Esse “conflito de personalidade” pode ser o maior problema da película, mas não chega a comprometer o quesito diversão como um todo.
Se no todo “Como Treinar o Seu Dragão 2” é uma aventura genérica, possui o mérito de contar com personagens que geram empatia com o público. A trama coloca ainda mais em evidência os laços familiares sem cair na pieguice, pelo contrário, tornando os principais ainda mais interessantes, além disso, os novos dragões são divertidíssimos. A terceira aventura já está prevista para 2016, é esperar para conferir se ainda haverá fôlego para que as aventuras de Soluço e Banguela pareçam frescas e emocionantes.

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