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Exposição “Habitar Pós-Futuros” na Pinacoteca de São Bernardo do Campo

Um mundo cheio de vida, pulsante, onde a natureza retoma seu lugar sem a interferência humana. Na exposição “Habitar Pós-Futuros”, a artista são-bernardense Juliana Brandão faz um convite a pensarmos na vida pós-apocalipse climático. Com curadoria de Ana Carla Soler, a mostra acontece de 27 de setembro a 29 de novembro, na Pinacoteca de São Bernardo do Campo, com entrada franca. Numa seleção de quase 20 obras, entre esculturas sonoras e com movimento, videoinstalação e pinturas, Juliana Brandão reflete sobre a interdependência das espécies e a vida que continuará a pulsar no planeta, com ou sem a presença do ser humano. “Habitar Pós-Futuros” traz obras táteis e audiodescrição para pessoas com deficiência visual. A programação inclui uma oficina de performance, “Corpos do pós-futuro”, com a coreógrafa e artista Vic Donatangelo, no dia 18 de outubro, e uma palestra de encerramento com o artista, curador e professor da USP Hugo Fortes, em 29 de novembro. Com produção da Paradoxa Gestão Cultural, o projeto foi selecionado pelo edital de Fomento a Artes Visuais, da Lei Aldir Blanc.

“Habitar Pós-Futuros” é a primeira exposição individual de Juliana Brandão, artista multidisciplinar, que atua em diferentes linguagens, com destaque para o tridimensional e o uso de tecnologia. Em esculturas e videoinstalações acionadas por sensores de movimento, plantas brotam dentro de casa, móveis são tomados por musgos e folhagens, o assoalho “respira”, sons de animais ecoam de ruínas, como se a natureza tomasse de volta o que lhe pertence. Em sua pesquisa, a artista investiga o conceito de lar como algo que vai além do espaço físico, entrelaçando memórias, vivências e projeções de futuros possíveis. Em sua poética, habitar se torna um ato de resiliência e reinvenção. Como um organismo vivo, a casa adapta-se aos ciclos de vida, morte e renascimento. “Para mim, o fim do mundo é um recomeço. A vida continuará existindo, mas de outras formas”, explica a artista, mestranda em Poéticas Visuais pela Unicamp.

Outro destaque do trabalho de Juliana Brandão é o jeito pouco usual de utilizar os recursos tecnológicos na arte. Com a ajuda de motores, alto-falantes, computadores e ferramentas de inteligência artificial, a artista fala da relação de interdependência entre o homem e as demais espécies do planeta, com base em questões do antropoceno. “Em sua obra, a tecnologia é usada para provocar, nos ajudando a repensar nossa existência e os modos como atuamos no planeta”, diz a curadora.

Completando 50 anos de existência, a Pinacoteca de São Bernardo do Campo é o maior espaço de exposição permanente de arte contemporânea da região do ABC. Com quatro espaços expositivos, um jardim de esculturas e uma programação de qualidade, que privilegia artistas de fora do grande circuito de galerias, a Pinacoteca de São Bernardo do Campo é o equipamento de arte mais importante do estado fora da capital de São Paulo.

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