“Nada é mais contrário ao sentimento amoroso do que o machismo”, afirmou Betty Milan em entrevista à revista Época, em 2019. A frase condensa uma reflexão que a escritora e psicanalista desenvolve há mais de quatro décadas, examinando as relações entre o sentimento amoroso, a liberdade feminina e o machismo. Em O que é o amor, publicado originalmente em 1983, essa investigação passa pela literatura, pela música popular e pelo teatro, onde encontra expressões de uma cultura que subordina a mulher à vontade masculina. Ao comentar Tragédia brasileira, de Manuel Bandeira, Betty lê no assassinato de Maria Elvira por Misael a consequência extrema dessa lógica de posse.
É essa discussão, retomada em suas intervenções recentes nas redes sociais, que Betty leva à Academia Paulista de Letras no dia 12 de novembro, quinta-feira, às 17h30. Sob o título O amor e o machismo, o encontro reúne a autora, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro e o jurista e escritor José Renato Nalini, a convite do presidente da instituição, Antonio Penteado Mendonça. Com entrada livre, a programação prevê falas dos três participantes e debate com o público, seguido de um vinho de confraternização às 19h. Na obra de Betty, a liberdade nas relações amorosas compreende a possibilidade de escolher, recusar e estabelecer limites. Ao revisitar os efeitos da revolução sexual, a autora questiona também a exigência de disponibilidade sexual imposta às mulheres como prova de emancipação. Essa atenção às contradições da vida afetiva orientou as colunas de consultório sentimental que Betty publicou na imprensa, posteriormente reunidas nos livros Fale com ela e Quem ama escuta. A partir das cartas dos leitores, a autora examina o ciúme, as separações e a dificuldade de aceitar que a pessoa amada tenha desejos próprios. O amor reaparece em sua ficção, em livros como A paixão de Lia, O amante brasileiro e A mãe eterna, assumindo formas e conflitos distintos ao longo de sua trajetória.
Sobre os participantes

Betty Milan
Escritora e psicanalista, formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo e em psicanálise na França, com Jacques Lacan. É autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro publicados no Brasil e no exterior. Entre seus livros estão O que é o amor, O Papagaio e o Doutor, A paixão de Lia e Quem ama escuta. Foi colunista da Folha de S.Paulo, de Veja e de Veja.com. Desde 2022, ocupa a cadeira número 4 da Academia Paulista de Letras.

Djamila Ribeiro
Filósofa e escritora, é mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo. Autora de Lugar de fala, Quem tem medo do feminismo negro?, Pequeno manual antirracista e Cartas para minha avó, dedica seu trabalho às relações entre raça, gênero e desigualdade social. Coordena a iniciativa Feminismos Plurais, que reúne uma coleção editorial e um espaço de atendimento e formação para mulheres. Ocupa a cadeira número 28 da Academia Paulista de Letras.

José Renato Nalini – Jurista, professor e escritor, foi desembargador e presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e secretário da Educação do Estado de São Paulo. Sua produção aborda questões de ética, justiça e educação. Ocupa a cadeira número 40 da Academia Paulista de Letras, instituição que também presidiu.
Serviço
O amor e o machismo
Participantes: Betty Milan, Djamila Ribeiro e José Renato Nalini
Data: 12 de novembro de 2026, quinta-feira
Horário: 17h30, falas e debate com o público; 19h, vinho de confraternização
Local: Auditório da Academia Paulista de Letras
Endereço: Largo do Arouche, 312/324, São Paulo
Entrada gratuita, mediante inscrição pelo e-mail: secretaria@academiapaulistadeletras.org.br
