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Mulheres em Cena promove intercâmbios entre artistas

Potentes e talentosas artistas da dança e da performance revelam ao público seus trabalhos na 9ª edição da Mostra Mulheres em Cena, idealizada pela Cia. Fragmento da Dança. A programação, que inclui espetáculos, oficinas e compartilhamentos de processos, acontece de forma gratuita no Centro de Referência da Dança (CDR), entre os dias 17 e 20 de setembro.

A mostra tem como propósito interseccionar a produção artística e o debate reflexivo numa perspectiva dialógica e agregadora. A ideia é, para além de difundir trabalhos protagonizados por mulheres e promover o debate sobre práticas feministas, construir intercâmbios entre artistas envolvendo corpo-arte-cena-vida. 

Desde a primeira edição, em 2018,  a mostra recebeu, ao todo, 84 trabalhos nas linguagens de dança, teatro e performance e realizou uma série de ações formativas, conversas, fóruns, além de um intercâmbio imersivo com artistas de diferentes regiões do Brasil e edições que aconteceram fora da cidade de SP.

“Que outros imaginários produzimos com nossos testemunhos, denúncias e modos de estar em cena? Quais estratégias criamos para que outras narrativas estejam no mundo a partir das nossas falas e corpos? Desde que o projeto nasceu o nosso desejo é construir um espaço imersivo onde todas as artistas acompanham e assistem umas às outras, facilitando a criação de redes e parcerias”, revela Vanessa Macedo, idealizadora da mostra. 

Cada edição do projeto assume um tamanho e enfoque específico, dependendo dos financiamentos e colaborações conquistados, de modo que tem sido uma realização ininterrupta, mesmo quando os apoios são escassos. 

Nesta de 2025,  o recorte  reúne trabalhos em andamento que realizam sua estreia,  primeira abertura pública ou, ainda,  a  versão atual de pesquisas que propõem dramaturgias em trânsito, que vão se modificando no tempo. Assim, a programação promove o encontro entre artistas que já estiveram em alguma edição anterior e outras que chegam pela primeira vez. 

Os trabalhos apresentados colocam em cena uma perspectiva situada dos fazeres artísticos dessas mulheres, nos quais poética e política não se dissociam e os debates não perdem de vistas questões do nosso tempo envolvendo, principalmente, gênero, raça, território e geração.

Destaques da programação

A anfitriã Cia. Fragmento de Dança abre a programação com o espetáculo ATO, no dia 17, às 19h, na praça em frente ao CRD. O trabalho é uma espécie de manifesto escrito por gestos, de orquestra movida por corpos. O coletivo convida artistas para se juntarem ao elenco, construindo uma estrutura coreográfica que convoca o movimento em uníssono para fortalecer a imagem do grupo. 

Em seguida, às 20h, a artista curitibana Ludmila Aguiar apresenta Céu da Boca, uma dança que se faz de cócoras, vai de encontro com a garganta, o grito e o chão. Trata-se de uma dança que é manifesto contra as armadilhas do patriarcado e cria gestos e contornos para mover as histórias indigestas e aspirar futuros por vir.

A intérprete e criadora paulistana Patrícia Pina encena ARAPUCA no dia 18, às 19h. O solo performático emerge como um manifesto artístico frente às estruturas opressoras de racismo, sexismo e machismo que historicamente violentam a dignidade de grupos marginalizados. 

E, na sequência, a criadora Saolla Sousa mostra seu Canto da Sereia, espetáculo permeado por códigos do imaginário social sobre um corpo feminino, a partir da figura desse ser mítico abissal e aquático. Ou seja, uma corpa quimera mostra seus encantos de sedução e sua voracidade como predadora!

Entre as atrações do dia 19, está a paulista Lua Oliveira com seu Prólogo, às 19h. Neste concerto-espetáculo solo, o corpo está em trânsito, a música encontra o teatro, e o tempo se dobra para revelar os caminhos trilhados por musicistas ao longo da história e os desvios, quedas e resistências que marcaram suas trajetórias.

Já a multi-artista Rosa Antunã, de Belo Horizonte, mostra na sequência seu espetáculo A Dança da Mulher-Árvore. O trabalho faz parte de uma pesquisa autobiográfica, na qual a artista revisita sua ancestralidade com uma abordagem do ponto de vista das mulheres, trazendo uma paisagem histórica sobre o machismo estrutural ainda tão presente em nossa sociedade contemporânea.

Por fim, a curitibana Gladis das Santas abre ao público o espetáculo A 100 graus  celsius, no dia 20, às 19h. O trabalho tem como inspiração uma comparação entre a resiliência das mulheres e das bactérias termodúricas, que prosperam em temperaturas elevadas e sobrevivem à pasteurização e outras condições bem adversas.

Já a potiguar Ana Cláudia Viana apresenta na sequência a obra coreográfica em processo Ossos: cena inacabada. A obra nasce de uma investigação profunda sobre o corpo como território de memória e experiências. Cada gesto é um retorno, um mergulho nas camadas mais profundas do ser, onde dor, fragilidade e potência coexistem como forças transformadoras. A ancestralidade ocupa um lugar central na obra, e no corpo, o eco das lutas, resiliências e pertencimentos.

Ficha Técnica

 Idealização e curadoria: Vanessa Macedo

 Realização: Cia Fragmento de Dança

Artistas: Ana Claudia Viana, Gladis das Santas,  Lua Oliveira, Ludmila Aguiar Veloso, Patrícia Pina, Rosa Antunã e Saolla Sousa.  Cia Fragmento de Dança: Cinthia Tomaz, Gabriela Ramos, Leticia Almeida, Lua Oliveira, Maitê Molnar, Marcela Paez, Maria Basulto, Marina Dantas, Patrícia Pina e Sandra Valenzuela

 Direção de produção: Luciana Venancio – Movicena Associação Cultural

 Coordenação técnica: Giovanna Gonçalves

 Designer gráfico e social mídia: Leticia Mantovani 

 Assessoria de imprensa: Pombo Correio

 Responsável por agendamento de público: Gabriela Ramos

 APOIO: ONG FINAC, Centro de Referência da Dança (CRD), Prefeitura de São Paulo.

Serviço

Mostra Mulheres em Cena – 9ª edição

Quando: 17 a 20 de setembro

Quanto: Grátis

Centro de Referência da Dança (CRD) – Baixos do Viaduto do Chá s/n, Praça Ramos de Azevedo – Centro Histórico de São Paulo

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