Rodrigo França apresenta solo Eu Sou Um Hamlet em Salto

Dirigida por Fernando Philbert, peça explora as relações humanas e as condições da existência, trazendo a visão e os questionamentos de um homem negro sobre a realidade. Na temporada carioca, a montagem recebeu três indicações aos prêmios Shell (Música) e Cenym (Monólogo e Texto Adaptado)

“O Hamlet de Shakespeare quer vingança; no Brasil, os diversos ‘Hamlets’ só querem justiça. Imagina se quisessem vingança?” – Rodrigo França, ator de Eu sou um Hamlet

O espetáculo solo Eu sou um Hamlet faz sua estreia em Salto, interior de São Paulo, com sessão gratuita e 100% acessível, no dia 18 de novembro na Sala Palma de Ouro, às 20h, trazendo Rodrigo França no papel do icônico personagem de Shakespeare. Sob a direção de Fernando Philbert, o espetáculo oferece uma releitura contemporânea da obra do bardo, com tradução assinada por Aderbal Freire-Filho, Wagner Moura e Barbara Harrington. 

A adaptação, fruto da colaboração criativa entre Jonathan Raymundo, Fernando Philbert e Rodrigo França, reforça a parceria dos dois últimos, já consagrada no impactante “Contos Negreiros”. A montagem utiliza as falas de Hamlet para refletir sobre um mundo violento e segregado, lançando luz sobre as questões da sociedade atual e a condição de humanidade de um homem negro no Brasil. Ao incorporar um ator negro, a peça amplia os dilemas do clássico, trazendo a consciência da realidade ao personagem.

Este Hamlet questiona o mito da democracia racial e enfrenta o desafio de criar um discurso que provoque reflexão sobre o presente. Rodrigo França, ao assumir o papel, reflete sobre o impacto da tragédia colonial na identidade do homem negro, forçado a lidar com uma humanidade fragmentada e constantemente questionada.

Como sobreviver à consciência de uma condição vulnerável, em um sistema que marginaliza e estigmatiza? Como não ceder ao desespero? A peça busca respostas nos ancestrais, iluminando um coração em luta contra uma cultura opressora.

“Shakespeare foi popular em sua época ao encenar peças que se comunicavam com os mais diferentes tipos de pessoas, de nobres ao povo. Não será diferente em nossa montagem. Não gosto da arte para poucos, com muros. Quero que a tia do Complexo do Alemão saia do teatro contemplada, assim como a madame do Leblon”, profere Rodrigo França. 

“Queríamos um Hamlet que abordasse o racismo e o dilema do homem comum em uma sociedade que ameaça direitos e liberdades. Nosso Hamlet reflete sobre a tensão do mundo e busca entender como chegamos aqui. A peça coloca o ser humano no centro do pensamento, mostrando como enfrentar um sistema que oprime negros, LGBTs, pobres e quem luta por justiça. Em cena, Rodrigo enfrenta essa batalha solitária, mas encontra coragem nas vozes dos ancestrais para desafiar as regras do poder”, explica Philbert.

Para Rodrigo, estar à frente desta montagem é significativo, sobretudo por mostrar que artistas negros podem interpretar qualquer personagem. Ele destaca que interpretar um texto como esse, que reflete o ser humano, traz um impacto único ao ser incorporado por um ator negro.

A peça, embora respeite a obra de Shakespeare, explora novos territórios ainda não revelados, mostrando que amor, ódio, fúria e vingança são universais, mas suas expressões variam conforme a subjetividade de cada grupo. Essas emoções são naturais, mas a forma como são vivenciadas é construída socialmente. Nesse contexto, um homem negro buscando descobrir quem matou seu amado pai adquire outra dimensão.

Para o ator, que divide seu tempo ainda como diretor, debatedor, filósofo, autor e escritor, a população negra ainda está em busca de ser humanizada no Brasil. “Só é tratado como humano aqueles que têm dignidade em suas estruturas. Estamos longe de uma equidade para existir uma reparação de nossas mazelas causadas pela escravização. Contextualizando ‘Hamlet’, os nossos fantasmas (ancestrais) ainda clamam. O Hamlet de Shakespeare quer vingança; no Brasil, os diversos ‘Hamlets’ só querem justiça. Imagina se quisessem vingança? Não posso dispersar, pois os meninos estão morrendo lá fora. E temos muito o que fazer”, finaliza Rodrigo França. 

Ficha Técnica

Dramaturgia: William Shakespeare

Adaptação: Fernando Philbert, Jonathan Raymundo e Rodrigo França

Direção: Fernando Philbert

Assistente de Direção: Jonathan Raymundo

Elenco: Rodrigo França

Trilha Sonora Original: Dani Nega

Cenografia: Natália Lana

Iluminação: Pedro Carneiro

Figurino: Rodrigo Barros

Cenotécnico: André Salles

Assistente de Cenografia: Alessandra Rodrigues

Assistente de Figurino: Layza Dias 

Preparação de Elenco: Kennedy Lima 

Coreografia: Valéria Monã 

Pesquisa Yorubá: Gui Leal 

Preparação Física: Bia Black

Social Midia: Cyntia Gaibar

Designer: Gior Ribeiro

Gestão de tráfego: Daniel Barboza

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Direção de Produção: Flavia Primo (Primo88 Produções)

Produção Executiva: Priscila Cardoso (Kemet Co.)

Produtores Associados: Fernando Philbert e Rodrigo França

Produção: Primo88 Produções

“Esse projeto é realizado mediante recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), programa do Governo Federal, através do Ministério da Cultura e viabilizado pelo Fomento, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. “

Sinopse

A montagem, ao empregar as falas de Hamlet, funciona como um espelho da nossa sociedade violenta e segregada. A partir da perspectiva de um ator negro, a peça provoca reflexões profundas sobre as relações humanas, a condição do homem negro no Brasil e a busca por identidade. Ao fazer isso, a obra amplia os dilemas clássicos de Shakespeare, convidando o público a questionar sua própria humanidade em um mundo marcado por desigualdades.

Serviço

Eu Sou um Hamlet, com Rodrigo França

Apresentação: 18 de novembro de 2026, às 20h

Teatro Sala Palma de Ouro– Rua Prudente de Moraes, 580 – Centro, Salto – SP, Salto, SP

Ingressos: Grátis

Retirada de ingressos via Sympla 

Classificação: 12 anos

Duração: 60 minutos

Capacidade: 489 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida sim. Tradução em libras e audiodescrição.

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