Auá Mendes Agawara itá mukatúru As Encantadas protegem técnica mista 2024 detalhe de obra Fotos Micaela Mesant
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Amazônicas: poéticas femininas no CCBB RJ

A Amazônia é um território historicamente marcado por mulheres protagonistas, pioneiras e fundamentais para a formação cultural do Brasil. Partindo desta ideia, a exposição “Amazônicas: Poéticas femininas” chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) no dia 2 de setembro de 2026, apresentando a potência da arte contemporânea produzida por mulheres, de diferentes gerações, oriundas dos estados do Pará, Acre e Amazonas. A mostra será inaugurada na semana em que se comemora o Dia da Amazônia, instituído em 2007 e celebrado no dia 5 de setembro, reforçando a importância da Amazônia e estimulando a conscientização sobre sua preservação.

Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a mostra, que tem curadoria e direção artística de Sissa Aneleh, reunirá 80 obras de 21 artistas contemporâneas da região Norte do país e ocupará todas as salas do segundo andar do CCBB RJ, depois de ter sido apresentada em Belém, Fortaleza e Brasília. Um espaço imersivo no metaverso, com realidade aumentada, ampliará a experiência do público, através de óculos 3D. A exposição foi aprovada na Seleção Petrobras Cultural e conta com patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB.

“Nesta exposição afirmamos que a Amazônia é o verdadeiro ventre do Brasil e do mundo. Para tanto, seguimos no reconhecimento deste território mágico, ancestral e poderoso, não apenas como motivo, tema ou suporte, mas como energia elementar da encantaria, da força estética e artística das mulheres”, afirma a curadora Sissa Aneleh, que há 16 anos pesquisa mulheres da arte amazônica.

A exposição apresentará um amplo panorama da arte produzida por mulheres da região amazônica, desde a década de 1970 até os dias de hoje. São trabalhos feitos em diferentes suportes, como pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte, das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.

Dividida em quatro núcleos temáticos – Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas –, a mostra traz trabalhos cujas temáticas abordam questões de gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade. “O conceito da exposição, com base temática e histórica, tece interpretação de gêneros das obras de arte demonstrando os estilos e as temáticas predominantes nas artes de mulheres que constroem historicamente a arte produzida no Norte do Brasil. A pluralidade das temáticas e narrativas abordam o artivismo, o corpo como obra, culturas amazônica-indígena-afrobrasileira, pré-história e tecnologias amazônicas, arte do afeto, biografias e ancestralidades femininas, completando-se com a História das Mulheres”, diz a curadora.

A exposição conta com recursos de acessibilidade, como obra tátil, audiodescrição de obras e intérprete de libras. Ao longo do período da mostra, serão realizadas visitas guiadas com a curadora e palestra com algumas artistas. Além disso, também será lançado o catálogo da mostra.

EXPERIÊNCIA IMERSIVA E OBRA COLETIVA

Ampliando a experiência do público, a exposição contará com o Espaço Petrobras Amazônicas, um cenário conceitual com realidade expandida (XR), realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR), no qual o público utilizará óculos 3D para vivenciar uma visitação espacial imersiva e assistir filme em realidade virtual. Será possível ter uma visão em 360 graus, cenário em realidade aumentada e visualizar algumas obras de forma totalmente imersiva e inovadora.

Como parte da exposição, haverá, ainda, a obra coletiva em vídeo “Mensagem para a Amazônia”, que está sendo construída ao longo da itinerância da exposição com a participação do público. “É um convite para deixar uma mensagem do público sobre a importância da preservação ambiental”, diz a curadora.

NÚCLEOS EM EXPOSIÇÃO

A exposição estará dividida em quatro núcleos temáticos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas.

No núcleo “Materialidades Ancestrais” estarão obras nas quais a ancestralidade se manifesta por meio da matéria, como, por exemplo, nas cerâmicas táteis da artista Lise Lobato, que constroem um vocabulário simbólico que remete a ciclos de vida, nascimento, transformação e espiritualidade. Também neste núcleo estarão obras da série “Revoltosas”, de Cristiane Martins, que apresentam figuras escultóricas que dialogam com mitologias indígenas, feminilidade ancestral e forças simbólicas da floresta. “Neste núcleo, a arte se constrói como herança viva, onde cada material carrega história, cada forma carrega memória e cada obra se torna um elo entre passado e presente”, afirma a curadora Sissa Aneleh.

“Gravura Feminina” reunirá obras que utilizam as técnicas da gravura como instrumento de expressão, memória e identidade das mulheres. As xilogravuras de Elieni Tenório dialogam com o corpo feminino, suas medidas simbólicas, seus limites e sua presença no espaço social. Já as obras de Maria Auxiliadora Zuazo constroem um imaginário poético onde feminino, natureza e liberdade se entrelaçam, criando figuras híbridas que transitam entre o humano e o simbólico. Também neste núcleo estarão gravuras de Elaine Arruda, que exploram texturas, densidades e abstrações que transformam a superfície em campo sensível de experimentação estética. “Neste núcleo, a imagem impressa se transforma em território de permanência, resistência, construção identitária e registro das técnicas artísticas usadas pelas mulheres que dominam a gravura no Brasil”, diz a curadora.

A pintura se apresenta como linguagem central e imagética da experiência amazônica feminina no núcleo “Amazônia Pictórica”. As obras de Elieni Tenório exploram identidade, subjetividade e construção do feminino como experiência íntima e simbólica. Já as pinturas de Nina Matos constroem narrativas visuais que atravessam memória, deslocamento e afetividade. Haverá, ainda, obras de Sanchris, que criam paisagens simbólicas de reconstrução, memória e reinvenção existencial do corpo feminino diverso. Artistas como Rita Loureiro, Lise Lobato, Bárbara Savannah, Rafaela Moreira, Auá Mendes e Wɨra Tini ampliam esse território pictórico com narrativas que dialogam com cotidiano, território, espiritualidade, pertencimento e identidade amazônica. “Neste núcleo, a Amazônia não é paisagem: é experiência imagética, memória, símbolo e linguagem”, afirma Sissa Aneleh.

O quarto e último núcleo, “Performáticas”, apresenta o corpo como suporte e temática central da criação. Aqui estarão as fotoperformances de Renata Aguiar, que resgatam mitologias femininas, espiritualidades e narrativas ancestrais do território amazônico, assim como obras de Keila-Sankofa, que exploram identidade, memória, ancestralidade e corpo como arquivo vivo. Também neste espaço será apresentada a série “Mênstrua, Monstro, Monstra, Mostarda”, de Lúcia Gomes, que transforma o corpo feminino em território político, simbólico e discursivo, rompendo silêncios e tabus. As obras de Rafa Bqueer, Val Sampaio, Rafaela Kennedy e Wɨra Tini ampliam esse campo performático, onde o corpo se torna linguagem, gesto político, território de resistência e poética visual.

“Neste núcleo, a arte acontece no corpo, no gesto, na presença e na experiência”, ressalta a curadora.

PROGRAMAÇÕES COMPLEMENTARES

Como parte da exposição, serão realizadas oficinas presenciais de economia criativa, voltadas para o desenvolvimento profissional de mulheres em áreas técnicas e artísticas das artes visuais e plásticas. Além disso, também haverá uma programação formativa em economia criativa do programa Avanço das Mulheres do museu, que objetiva o desenvolvimento de carreira e mais atuação de mulheres no setor cultural nas áreas de produção executiva, projetos coletivos de arte e produção de exposições de artes visuais.

Haverá, ainda, uma programação educativa voltada para o público infanto-juvenil com a realização da atividade “Sons da Natureza”, para criação de memória sensorial, vivência lúdica com réplicas de esculturas da exposição inspiradas em sementes e sons de animais do Marajó. Durante toda a temporada, serão realizadas visitas mediadas para escolas públicas e privadas, grupos diversos e programação educativa inspirada no projeto. “Essas oficinas de economia criativa foram pensadas para o avanço das mulheres, ampliando a formação técnica e artística de quem está começando ou querendo começar uma carreira profissional no universo artístico e atuar em grandes projetos. Também oferecemos ao público infanto-juvenil atividades com esculturas sonoras inspiradas na natureza amazônica que podem ser tocadas e ouvidas, almejando outras formas sensíveis de conscientização ambiental por meio da arte com a Amazônia brasileira em suas mãos”, ressalta Sissa Aneleh.

SOBRE A PETROBRAS

O Programa Petrobras Cultural tem a brasilidade como eixo central, refletida nas temáticas, origens, curadorias e narrativas dos projetos apoiados em todo o país. A exposição tem patrocínio exclusivo da Petrobras e apresentação do Ministério da Cultura.

SOBRE A CURADORA

Sissa Aneleh é fundadora e diretora do Museu das Mulheres, Mestra e doutora em Artes, historiadora de arte, diretora artística, curadora e produtora executiva. Trabalha há mais de 15 anos na  área artística, dirigiu projetos aprovados pela Petrobras, CCBB, Caixa Cultural, Fundo de  Apoio à Cultura do DF e Goethe Institut. Faz a direção executiva e artística da programação  expositiva, audiovisual e educativa do museu, além da coordenação editorial da editora do  Museu das Mulheres. Realizou a curadoria de mais de 17 exposições, incluindo 2  circulações internacionais de exposição do museu com artistas brasileiras na Alemanha,  passando pelo Museu de Arte de Bochum, Centro de Cultura de Manheim, Bienal de Arte de  Bochum e Festival de Berlim. Diretora Artística e Curadora da exposição Vetores-Vertentes:  Fotógrafas do Pará no CCBB São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro – 2025 a  2026. Possui pesquisas de arte voltadas para história da arte, mulheres artistas, arte  brasileira, arte decolonial, cinema autoral feminino e poéticas curatoriais.

SOBRE O CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar. 

SOBRE O MUSEU DAS MULHERES

O Museu das Mulheres (Museu DAS), sediado em Brasília, é o primeiro museu brasileiro dedicado a valorizar e dar visibilidade à produção artística, cultural e histórica de mulheres. Com execução de projetos diversos em espaços físicos no Brasil e no mundo, lança experiências em ambientes espaciais e interativos – com Realidade Expandida (XR), Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) – e, por extensão, tem salas expositivas no Metaverso. Possui programação em artes plásticas e visuais, cinema, eventos, além de programa educativo, área de pesquisa, acervo e editora própria.

Serviço: Amazônicas: Poéticas Femininas
2 de setembro a 16 de novembro de 2026
Curadoria: Sissa Aneleh
CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (RJ)  
(21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br  
De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças).
Entrada gratuita.
Ingressos retirados no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência
Mais informações em bb.com.br/cultura
Siga o CCBB nas redes sociais:
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Coordenação e produção do Museu das Mulheres
Patrocínio: Petrobras
Apoio: CCBB Rio de Janeiro
Realização: Ministério da Cultura

ATENÇÃO Domingos, das 8h às 9h – horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme   determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017).

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