José Roberto Aguilar, Rio Tapajós |
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José Roberto Aguilar apresenta “Rapsódias Amazônicas” em Sorocaba

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba inaugura em 21 de março, às 10h30, a exposição Rapsódias Amazônicas, individual de José Roberto Aguilar com curadoria de Fabio Magalhães. A mostra reúne cerca de 30 pinturas, entre elas sete telas de grandes dimensões, além da instalação Guardiões das águas.

Desde 2004, Aguilar divide seu tempo entre São Paulo e Alter do Chão, no Pará, onde mantém residência e ateliê. A convivência com a floresta amazônica e com comunidades ribeirinhas atravessa o conjunto apresentado no MACS. A exposição marca o encontro de dois trajetos que atravessam mais de seis décadas de atuação no campo da arte brasileira, articulando produção artística e reflexão crítica em torno de uma obra que se mantém em movimento.

Nos anos 1960, o físico e crítico Mário Schenberg identificou Aguilar como um dos pioneiros da nova figuração no Brasil. Em 1965, o artista passou a utilizar spray e pistola, incorporando à pintura uma dinâmica direta entre gesto e superfície. O embate com a tela tornou-se procedimento recorrente. A pintura se organiza como ação contínua, em que texto, palavra e imagem coexistem. A fabulação comparece como estrutura, não como ilustração.

Aguilar também atua na literatura e na música. Na juventude integrou, ao lado de Jorge Mautner e José Agrippino de Paula, o grupo Kaos, experiência que antecede o ambiente cultural da Tropicália. Em 1981 lançou o livro A Divina Comédia Brasileira e criou a Banda Performática com Paulo Miklos e Arnaldo Antunes. A circulação entre linguagens informa a construção de uma pintura que incorpora narrativa, ritmo e enunciação poética.

Haroldo de Campos observou que o rapsodo é aquele que reúne poemas. Ao definir Aguilar como rapsodo de imagens, aponta para um procedimento de montagem e sobreposição que atravessa sua produção. A escala também integra esse vocabulário. Em 1991, ao ocupar o subsolo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand com obras de grande formato, apresentou a tela Hermenêutica, da série Gigantomaquia, com vinte metros de altura. A dimensão física da pintura tornou-se parte da experiência pública.

Em Alter do Chão, às margens do rio Tapajós, a pintura encontra outra medida de espaço e tempo. A floresta, os ciclos das águas, a relação entre matéria orgânica e transformação atravessam a produção recente. A convivência com lideranças locais e com saberes tradicionais amplia o campo simbólico da obra. A instalação Guardiões das águas insere essa dimensão no espaço expositivo, tensionando pintura e ambiente.

Rapsódias Amazônicas apresenta um recorte que articula memória, deslocamento e permanência. Ao reunir telas recentes e trabalhos de grande escala, a exposição inscreve no museu uma trajetória que atravessa diferentes momentos da arte brasileira, conectando experiência urbana e vivência amazônica em uma mesma superfície pictórica.

Serviço

Exposição: Rapsódias Amazônicas – José Aguilar
Curadoria: Fabio Magalhães

Abertura: 21 de março, às 10h30
Período: 22 de março a 04 de julho de 2026
Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba – MACS
Endereço: Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba
Visitação: terça a sexta, 10h às 17h | sábados, domingos e feriados, 10h às 15h

Realização: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba
Apoio: Secretaria de Cultura de Sorocaba, Dan Galeria
Patrocínio: Laranjinha Itaú, Itaú, White Martins, Sorocaba Refrescos, Ibram, Ministério da Cultura

José Roberto Aguilar, Flores da Permissão (2023)
José Roberto Aguilar, Flores da Permissão, 2023

José Roberto Aguilar, O caminho das algas,
José Roberto Aguilar, O caminho das algas, 2022

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