Crítica: Maravilhoso, "Praia do Futuro" é o reflexo da busca por identidade

We can be Heroes!We can be Heroes!We can be Heroes!Repete a bela música “Heroes” de David Bowie que pontua o filmaço Praia do Futuro, nova incursão intimista do cineasta Karin Ainouz sobre conflitos internos individuais. O filme foi marcado por algumas polêmicas referentes a pessoas que abandonaram sessões por causa das honestas cenas de sexo…


PRAIA DO FUTURO Official Poster Banner PROMO PHOTOS 12DEZEMBRO2013

We can be Heroes!
We can be Heroes!
We can be Heroes!
Repete a bela música “Heroes” de David Bowie que pontua o filmaço Praia do Futuro, nova incursão intimista do cineasta Karin Ainouz sobre conflitos internos individuais. O filme foi marcado por algumas polêmicas referentes a pessoas que abandonaram sessões por causa das honestas cenas de sexo homossexuais, e isso acaba sendo um importantíssimo reflexo do que a história carrega em si mesma. Não é um filme gay, muito menos um drama pessoal sobre uma história de amor. Praia do Futuro é uma parábola sobre identidade. E ao aliar essa questão aos signos mais intocáveis da representação do homem, Ainouz decalca da honra o teor sexual e passa para a identificação pessoal (de seu “heroi”) a legitimidade de um gênero sexual.
A trama acompanha o relacionamento apaixonado entre o salva-vidas Donato (Wagner Moura) e o mecânico alemão Konrad (Clemens Schick) que se conhecem quando o primeiro não consegue salvar do afogamento fatal o amigo de Konrad. A relação evolui para Berlim, para onde Donato vai atrás de seu amor, largando tudo. Oito anos depois, chega a vez do irmão Ayrton (Jesuíta Barbosa) ir até o Velho Mundo atrás do paradeiro de Donato. O reencontro se revela quase um exercício de auto-análise.
Praia-do-Futuro-2014
O roteiro – do próprio diretor, com co-autoria de Felipe Bragança – divide a trama em três atos que expõem o despertar, a consolidação e a “auto retórica” de Donato (um Wagner Moura sendo ótimo como sempre, mas dessa vez sem se repetir, numa entrega e composição de personagem irretocáveis), fazendo uma amostragem do quanto a busca (ou autossabotagem?) por uma identidade tem uma dimensão existencialista, portanto, universal.
Daí, chegamos a questão do incômodo que as muitas cenas de amor explícito (sim, pois a relação retratada tem a organicidade pertinente do humano e não de tipificação gay) causaram em identidades perdidas por aí. Identidades que ainda procuram algum sentido que valha subjugando àquilo que não conhecem: a individualidade dos sentimentos que não são passíveis de julgamentos, mas sim, cabíveis de assimilação. Praia do Futuro é um dos filmes mais lindos já feitos. E essa beleza, mesmo poetizada pela belíssima fotografia, esconde na habilidade de seus signos o que Bowie canta na canção que abre o texto: “Nós podemos ser heróis!”.
Sim, todos nós podemos ser heróis de nós mesmos. Daí, nasce uma identidade.