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Crítica: Maravilhoso, "Praia do Futuro" é o reflexo da busca por identidade

We can be Heroes!
We can be Heroes!
We can be Heroes!
Repete a bela música “Heroes” de David Bowie que pontua o filmaço Praia do Futuro, nova incursão intimista do cineasta Karin Ainouz sobre conflitos internos individuais. O filme foi marcado por algumas polêmicas referentes a pessoas que abandonaram sessões por causa das honestas cenas de sexo homossexuais, e isso acaba sendo um importantíssimo reflexo do que a história carrega em si mesma. Não é um filme gay, muito menos um drama pessoal sobre uma história de amor. Praia do Futuro é uma parábola sobre identidade. E ao aliar essa questão aos signos mais intocáveis da representação do homem, Ainouz decalca da honra o teor sexual e passa para a identificação pessoal (de seu “heroi”) a legitimidade de um gênero sexual.
A trama acompanha o relacionamento apaixonado entre o salva-vidas Donato (Wagner Moura) e o mecânico alemão Konrad (Clemens Schick) que se conhecem quando o primeiro não consegue salvar do afogamento fatal o amigo de Konrad. A relação evolui para Berlim, para onde Donato vai atrás de seu amor, largando tudo. Oito anos depois, chega a vez do irmão Ayrton (Jesuíta Barbosa) ir até o Velho Mundo atrás do paradeiro de Donato. O reencontro se revela quase um exercício de auto-análise.
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O roteiro – do próprio diretor, com co-autoria de Felipe Bragança – divide a trama em três atos que expõem o despertar, a consolidação e a “auto retórica” de Donato (um Wagner Moura sendo ótimo como sempre, mas dessa vez sem se repetir, numa entrega e composição de personagem irretocáveis), fazendo uma amostragem do quanto a busca (ou autossabotagem?) por uma identidade tem uma dimensão existencialista, portanto, universal.
Daí, chegamos a questão do incômodo que as muitas cenas de amor explícito (sim, pois a relação retratada tem a organicidade pertinente do humano e não de tipificação gay) causaram em identidades perdidas por aí. Identidades que ainda procuram algum sentido que valha subjugando àquilo que não conhecem: a individualidade dos sentimentos que não são passíveis de julgamentos, mas sim, cabíveis de assimilação. Praia do Futuro é um dos filmes mais lindos já feitos. E essa beleza, mesmo poetizada pela belíssima fotografia, esconde na habilidade de seus signos o que Bowie canta na canção que abre o texto: “Nós podemos ser heróis!”.
Sim, todos nós podemos ser heróis de nós mesmos. Daí, nasce uma identidade.

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Publicado por Renan de Andrade

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