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“Bandidos na TV”: uma ótima questão levantada pela Netflix

A Netflix já pode pegar para si a primazia de popularizar o gênero de série documental, tendo apresentado, popularizado e expandido o gênero nos últimos anos. Making a Murderer e Wild Wild Country são exemplos claros desse êxito como produto e oferta. Portanto, faz tanto sentido que seja exatamente pelo gênero, que o serviço de streaming entregue uma de suas melhores produções até aqui, com Bandidos na TV.

A história é surreal e é interessante refletir sobre como sua credibilidade é potencializada pelo prisma documental que é mostrada. Em Manaus, Wallace de Souza era um ex-policial, ex-deputado e apresentador de um programa policial sensacionalista, que acompanhava batidas policiais e descobertas de cadáveres. Quando um acusado de tráfico de drogas é preso, surgem acusações claras de que Wallace mandava matar para munir seu programa de conteúdo.

A notícia obviamente cai como uma bomba no país, gerando até repercussão internacional. O documentário reconta todos os passos da investigação, a complexidade dos fatos e principalmente a ambiguidade dos envolvidos.

O diretor Daniel Bogado, munido de um extenso e minucioso trabalho de pesquisa, constrói magistralmente a trama de intrigas que percorre toda a investigação e fica o tempo inteiro colocando em perspectiva a inocência ou não do personagem principal. Para tal, ele maneja os fatos novos de acordo com a estruturação que cria em cima da narrativa. Esse trabalho é brilhante.

Mais do que transformar a realidade em dramaturgia, Bogado absorve o teor do sensacionalismo da que retrata e reverte em linguagem para melhor jogar isso no colo do espectador. São sete episódios que alternam defesas e acusações, certezas e ponderações e comentários críticos ao papel da mídia e aos vícios corruptíveis das instituições. É bem pesado observar que após digerirmos o absurdo de tudo, o que reverbera é mais comum do que queremos admitir.

Bandidos na TV é uma narrativa que dimensiona os lados dos fatos. Ao se eximir de respostas, configura-se em ser questão, nada mais que o cerne do gênero a qual faz parte.

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