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O épico de El Cid continua em sua segunda temporada, mas a intriga novelesca atrapalha seu êxito

A estreia da segunda temporada de El Cid, a produção espanhola da Amazon, era aguardada. A primeira temporada apresentou uma história sólida e um elenco com Jaime Lorente (Elite e La Casa de Papel), Elia Galera (Hospital Central), Juan Echanove (Alatriste), Alicia Sanz (#Realityhigh), Francisco Ortiz (Segredos De Estado), Jaime Olías (Amar à distânca) e Álvaro Rico (Elite).

O conflito pela posse das terras da Península Ibérica entre os reis Sancho, García e Alfonso após a morte de seu pai, o rei Fernando é a premissa dessa nova temporada. No desenvolvimento deste conflito, a figura do honesto Rodrigo Díaz de Vivar (Jaime Lorente) estará muito presente e terá um papel fundamental.

Há muitas intrigas palacianas e lutas pelo poder nesta segunda temporada. É uma continuação da primeira temporada, então evitaremos detalhar além, embora muito esteja nos livros de história; mas pode-se dizer que aumentam as disputas entre os diferentes reinos e é palpável a iminência de uma guerra total entre todos. Existem ódios de berço e paixões; exatamente como no século 11. Não há nenhum traço da “misericórdia que habita nos corações dos reis”, como Shakespeare escreveu em O Mercador de Veneza.

A trama

Voltemos ao conflito entre irmãos. Este conflito é baseado no desejo dos irmãos de expandir seus reinos além de suas fronteiras. Esta luta entre os diferentes reinos faz com que Rodrigo Díaz de Vivar, ou melhor, o El Cid, embora esteja sempre no centro da ação, partilha um papel bastante distribuído.

Já não há tanta apresentação de personagens como na primeira temporada, nem tanta concessão ao politicamente correto, o que era um absurdo levando-se em conta a época. Ainda há muito diálogo, desta vez compensado por mais ação. São três grandes batalhas, bastante sensoriais e muito bem filmadas; mas a música de Gustavo Santaolalla contribui mais, dá à imagem aquele extra que só a trilha sonora pode dar para fazer vibrar o ecrã, enaltecendo um épico que ajuda a compreender como um jovem escudeiro vai acabar por se tornar um lenda.

Lembrando que a série da Amazon Prime não pretende ser uma reconstituição histórica do que aconteceu, mas criar um enredo atraente adaptado à série. O problema é que, ao fazê-lo, não consegue criar um produto regular. Há momentos bastantes interessantes, como no caso das batalhas citadas,  mas sua irregularidade é um tanto evidente. Além disso, o estilo novelesco ou telenovela, com todo aquele recurso de discussões e intrigas, deixa o espectador imerso em subtramas que não chamam a atenção.

Os papéis de El Cid, Urraca e Sanchez

Lorente dá a seu Cid a fachada de um jovem pajem, um tipo muito castelhano, um homem rude de ação, um tanto taciturno e apaixonado por sua Jimena. E que venha uma terceira temporada para que ele entre na escuridão de sua Estrela da Morte.

A série também traz uma fascinante Doña Urraca, que Alicia Sanz dotou da maldade perversa e inteligente de uma vilã que, com sua fina ironia, está sempre a uma palavra de virar qualquer reino  de cabeça para baixo, uma destacada aluna de Sun Tzu que sabe muito bem que a arte da guerra é baseada no engano.

Os conflitos em torno dos quatro irmãos são causados ​​principalmente por ela, uma mulher poderosa, fria e calculista, que parece fazer tudo nas sombras. Além das nuances que esse personagem e seu irmão Sancho apresentam, os demais personagens mostram sua falta de profundidade e evolução ao longo dos episódios. Os dois personagens tomam as rédeas, Urraca e Sancho, são justamente os personagens que tomam as rédeas da série e que impulsionam o confronto entre irmãos.

Os embates

Quanto ao estilo novelesco já citado, estamos com situações mais típicas da atualidade do que da época em questão. A causa pode ser que El Cid tenha uma narrativa ligada a paixões. Apesar de conter um vocabulário de acordo com a época em que se desenrola a trama (algo a se lembrar), exala um aroma pré-fabricado. Ademais, a falta de transição entre as cenas dramáticas e as cenas de ação, o que diminui o impacto desta segunda temporada. A ambientação da série é magnânima, mas isso não implica que não dê a sensação de ser algo telenovelesco.

À medida que os capítulos avançam, a série melhora, conseguindo em alguns momentos gerar  tensão no espectador. Entretém bem e a trama alça voo depois da metade do terceiro capítulo. O trabalho do elenco de apoio é outro aspecto a ter em conta, para além da louvável dedicação de Jaime Lorente, que se separa de seus personagens mais conhecidos.

No final da segunda temporada de El Cid, a sensação que deixa para trás é de que a série perdeu uma oportunidade. Uma boa oportunidade para narrar as aventuras de um personagem épico e as disputas entre irmãos, interpretados por atores de primeira linha. O clima de novela pode causar essa sensação, mas o orçamento para reconstituição histórica, o impacto da história, o período medieval em si e o equilíbrio dado a algumas cenas garante o peso dessa série. Esperamos que haja mais temporadas para os personagens se desenvolvam mais, conforme os reinos estão sendo formados. Mas vamos aguardar. De resto, recomendamos.

Nota: Bom – 3 de 5 estrelas

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