Ambrosia Críticas Precisamos (muito) falar sobre a genial "Fleabag"

Precisamos (muito) falar sobre a genial “Fleabag”

O que você está fazendo que ainda não assistiu Fleabag??? Sim, a série, pérola escondida no catálogo no canal de streaming Amazon Prime Video, será uma das melhores surpresas que assistirá em 2019. E como o hype começou justamente com o lançamento, esse ano, da segunda temporada, ver junto com a primeira (são apenas 6 episódios de cerca de meia hora por temporada!) só potencializará o brilhantismo criativo da criadora Phoebe Waller-Bridge, também protagonista da história.

Como a série nasceu de um espetáculo de teatro em que, basicamente, Phoebe conversava com a plateia sobre sua observação aguda da vida, mas sob a perspectiva de sua vida pessoal (família, amores e trabalho), o roteiro mantém esse viés cúmplice com os expectadores, utilizando o recurso simples e efetivo da quebra da quarta parede, com olhares sutis e cheios de significados da protagonista. Inclusive, várias situações são resumidas com esse recurso, e não demora muito para que comunguemos dessa intimidade dela para com os personagens (geniais) que a gravitam.

 

O primeiro episódio da segunda temporada é por si só, uma obra-prima. Um jantar em família envolta de uma mesa de restaurante, é o estopim para diálogos tão corrosivos quanto existencialistas, num trabalho de direção preciso. Ao longo dos episódios sua metralhadora observacional relativiza o amor romântico (há uma cena hilária dela se masturbando enquanto assiste um discurso de Barack Obama), a relação com pai (Edipiana) e com a irmã (Lacaniana) e até o feminismo (mesmo que para em tese, reforça-lo).

A cada retrospecto que se faça da série, mais ela cresce, seja pela relação dela com a madrasta (cenas antológicas com a oscarizada Olivia Colman), a bela cena do confessionário e sua trégua no cinismo em relação ao amor, a teoria das raposas num diálogo surreal e até mesmo o final, na maneira poética como é colocada.

Fleabag é mais que superlativos. O mundo percebeu isso na prática: Phoebe emplacou outra série ótima (que mulher!), Killing Eve, está desenvolvendo outra para HBO e foi convidada para dar sua consultoria ao roteiro do próximo 007. Ou seja, gabaritos, superlativos e motivos não faltam para aderir a visão de mundo, cheia de personalidade, de Waller-Bridge.

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