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Reacher nunca procura uma briga, mas nunca desiste de uma…

Jack Reacher é o personagem mais popular criado pelo escritor Lee Child. Apareceu em quase 30 romances e, há alguns anos, deu o salto para a telona com Tom Cruise liderando seu elenco. É claro que a contratação do ator não foi isenta de controvérsias devido à sua altura, já que ele estava longe da altura que esse pesquisador com passado militar tinha nos livros.

Após o decepcionante desempenho de bilheteria de Jack Reacher: Sem Retorno (2016), foi decidido não seguir em frente com a franquia de filmes. No entanto, não demorou muito para que uma versão televisiva fosse lançada pela Amazon.

O próprio Child não hesitou em elogiar a escolha de Alan Ritchson (o Rapina dos Titãs) como o novo Jack Reacher, observando que o ator aborda o que queria transmitir nos livros, embora também na época o escritor não tinha nada além de boas palavras para Cruise.

Jack Reacher

O personagem é um defensor da justiça por suas próprias mãos, como o protagonista de um western moderno onde a lei se dá de acordo com o que entende. Uma fantasia masculina de um guerreiro gigante e loiro tão inteligente quanto bom lutador que nunca erra um golpe ou foge de um desafio. Um Sherlock Holmes misturado com He-Man que anda pelos Estados Unidos como um nômade e, ao estilo de Jonathan Smith em O homem que veio do céu (Highway to Heaven, 1984-1989), resolve uma infinidade de casos policiais que encontra.

Nick Santora (Prison Break), criador da série, entendeu desde o início o material com o qual está trabalhando e, junto com os roteiristas, criou um thriller investigativo e de ação bem completo, tornando o personagem um cara durão, mas carismático. É compreensível isso; pois o próprio Lee Child esteve envolvido nos roteiros, ao lado de Scott Sullivan (Scorpion: Serviço de Inteligência).

A história apresenta Jack Reacher, um sem-teto que, ao descer do ônibus em Margrave (Geórgia), é rapidamente preso pela polícia pelo suposto assassinato de um homem. Desde o início, a história é narrada como uma clássica história do estranho em uma pequena cidade que desperta as suspeitas dos vizinhos e que, temido e até absurdamente odiado, começará a buscar justiça em suas próprias mãos. A parceria é feita com dois policiais: o policial Roscoe (Willa Fitzgerald) e o detetive Finlay (Malcolm Goodwin),que atuarão como seus aliados, além de representação do ideal de justiça e lei estabelecidas.

A dinâmica é interessante. O trio representa os diferentes aspectos com os quais os policiais se deparam nestas histórias: ela, a novata voluntariosa e enérgica, por sinal, uma digna sucessora de Reacher em muitos aspectos, e o detetive, a lei burocrática e meticulosa, que representa o estado claramente corrompido. O caso, para deleite do espectador, vai se intensificando até transformar a cidade em uma zona de guerra aberta, em um cenário irracional como um western moderno.

A forma western que abordamos não é só pelo estilo que a série segue, mas também porque bebe de John Ford. Como um John Wayne moderno, com seus olhares e silêncios, com a monumentalidade de seu físico e seu andar cansado, Reacher converterá essa pequena cidade no laboratório de seus princípios por acaso, como ocorre em Riders of Destiny (1933).

O thriller avança bem, os acontecimentos seguem com ritmo, sem problemas, mas não de forma desajeitada, sendo uma temporada de oito episódios e cada um durando quase uma hora. Mesmo assim; mantem o mistério para ser desvendado e dá ao espectador uma série de cenas de ação que crescem e se tornam mais complexas à medida que a história avança. Reacher é um lutador rigoroso, que pode atirar pelas costas, mas também defender a honra de uma mulher, o que o torna um herói interessante, incomum em dias de personagens atormentados e vulneráveis.

Não evitaremos o conceito de Mary Sue que pode ser lido em Reacher, ele foi criado nesse sentido, o que demonstra nas cenas finais.

Reacher é uma série de ação que desenvolve uma investigação interessante. Alan Ritchson dá ao personagem o carisma para se importar com ele e seus esforços. Além disso, o fato de a história fechar no oitavo episódio dá um sentido circular ao enredo, repousa sobre suas próprias conquistas e consegue construir uma saga que valerá a pena uma continuidade. Já confirmada até uma segunda temporada, a série certamente irá satisfazer os fãs do gênero, após o fiasco de Tom Cruise.

Nota: Muito Bom – 3.5 de 5 estrelas

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