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"Sambas do absurdo" reúne nata da MPB paulista com a poética de Nuno Ramos

1.1. O dialógico numa conversa obedece às frases longas com períodos cheios de orações que pedem o sujeito, predicado e seus complementos. Quem ouve o discurso precisa ter esta partitura inteira de pensamento mesmo que só escute o que quer. Mas ao passar o fraseado para uma outra linha que seja não (assuntiva totalmente) mas poética, apenas, podemos miniaturizar a ordem do discurso da enunciação?
Tal pequeno trecho dissertativo logo acima serve para cruzar um estreito espaço da arte visual do poeta e artista plástico Nuno Ramos que criou as letras para o álbum Sambas do Absurdo (selo Circus), que foi pensado como um banda ou um combo de cabeças pensantes , pelo Gui Amabis, responsável por toda parte de programação de sintetizadores e programações em inserções de belíssimos loops. Na levada, outro bamba que participa criando linhas melódicas só com belos sambas com todos os cavaquinhos e bandolins tracejados na linha do trem : Adoniran Barbosa. E por fim, a  menestrel, Juçara Marçal, que pontua cada sílaba e pílula gramatical do fraseado estético e sintético coro/corpo melódico dos versos de Nuno.

Aqui o álbum obedece à não identificação de nomeação das letras, e sim um código numérico que começa pela oitava canção, diminuindo até a primeira ( Última). O universo temático parece de um recorte de jornais. O samba aqui como pleno operador de uma rolleflex que filma tudo. E se pensarmos nos operantes frames lisérgicos do sempre pontual Gui Amabis, com a cadência do samba de Sampa do Rodrigo Campos temos perto, uma disparada linha de diversidade de versos entre Rio e São Paulo na suas tessitura crítica quanto a uma capacidade de falar do país sem moldes pré-impressa dos nos formatos mídia-padrão.

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