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Segunda temporada de “Como Água para Chocolate” dá toque final a uma bela história de amor

Faz mais de um ano que tivemos notícias de nossos amigos Tita de la Garza (Azul Guaita) e Pedro Múzquiz (Andrés Baida). Tita estava sendo internada num hospício pela própria mãe e Pedro estava sendo atingido por um tiro do pelotão de fuzilamento de rebeldes. Contrariando o senso comum, eles voltaram sem grandes arranhões. Mas nada será como antes em “Como Água para Chocolate”.

Por mais um episódio ainda amaremos odiar Mamá Elena (Irene Azuela). Encontramos a matriarca impedida de se locomover após ser covardemente agredida numa invasão à sua fazenda. Mas ela não fica mais mansa com a sua condição. Recusa-se a ser examinada pelo doutor John Brown (Francisco Angelini) e, quando Tita lhe prepara carinhosamente um caldo suculento, ela diz que a filha mais nova está tentando lhe envenenar. Na ausência de Mamá Elena, ela tem uma substituta: a filha mais velha Rosaura (Ana Valeria Becerril), que se torna uma vilã à altura, humilhando, ameaçando e chantageando as pessoas ao seu redor.

Como agua para chocolate

O grande acontecimento que está sendo preparado nesta temporada é o casamento de Tita e John Brown. Como diz Rosaura, prática: “o casamento é um negócio e vem sempre acompanhado de mentiras”. Mas Tita tem uma visão romântica. Ela não quer se casar com um homem ao mesmo tempo em que ama outro.

A história se passa durante a Revolução Mexicana, conflito que se iniciou em 1910 com o objetivo de remover do poder o ditador Porfírio Díaz, que lá estava desde 1876. Liderados por Emiliano Zapata e Pancho Villa, os camponeses se revoltaram e formaram um governo popular. Nossos personagens não são camponeses, mas veem seus funcionários e a irmã de Tita, Gertrudis (Andrea Chaparro), lutando pela liberdade. Do outro lado está o tio de Pedro, que usurpa sua fazenda e se coloca do lado dos poderosos.

No quarto episódio, Tita e Rosaura preparam um belíssimo altar de Día de los Muertos para honrar e lembrar os falecidos das famílias De la Garza e Múzquiz. A origem dessa celebração remonta a tempos pré-colombianos, com povos como astecas, maias, zapotecas e mixtecas celebrando seus falecidos. Com a colonização espanhola no México, a data mesclou-se com o feriado católico do Dia de Finados e foi tomando a forma que conhecemos hoje.

Folhetinesco, “Como Água para Chocolate” tem tudo que uma boa novela tem, de amores impossíveis a grandes traições. Cada capítulo é nomeado por uma comida, preparada por Tita com consequências diversas. As cenas de feitura das comidas e dos banquetes que se seguem, ambas vistas de cima, são puro “food porn”.

O Realismo Mágico, típico da literatura latino-americana, é apresentado em “Como Água para Chocolate” através da crença de que o que um cozinheiro sentiu cozinhando pode ser também sentido por aqueles que comem a comida preparada. Assim, depois de cozinhar champandongo com ciúmes de Pedro e Rosaura, o prato causa ciúmes em quem o come. Os feijões cozidos com forte desejo de ser honesta geram um festival de sinceridade inoportuna, mas muito divertida.

Como agua para chocolate

Na série é dado mais destaque para Gertrudis, a irmã revolucionária de Titã. Quem também ganha algum protagonismo é a empregada Fina (Lesslie Apocada), violentada na invasão à fazenda. Elas são as mulheres da família De la Garza que conseguem sua liberdade e, como consequência, a felicidade ao desafiarem as tradições.

Todos os episódios desta temporada foram dirigidos por Julián de Tavira, um raro exemplo de diretor que foi dos curtas-metragens direto para as séries de televisão, sem passar por experiências com longas. Em entrevista, Julián destacou a oportunidade de levar a “mexicanidade” às telas.

A própria autora de “Como Água para Chocolate”, Laura Esquivel, disse que a série não representa bem a história que ela escreveu. Apesar de algumas mudanças sobretudo nas receitas que davam nome a cada episódio, foi uma adaptação fiel, o que deixou muitos frustrados, esperando por uma modernização da trama. Mas ela não precisava ser modernizada: tendo a cozinha como refúgio e lugar de empoderamento, a história de Tita é um libelo à liberdade das mulheres.

NOTA 7 de 10

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