A administração do Estádio da Silésia, em Chorzów, confirmou nesta sexta-feira o cancelamento do show do rapper americano Kanye West, conhecido como Ye. A decisão ocorre após uma onda de pressão governamental e forte condenação pública devido às recentes declarações de teor antissemita, racista e pró-nazismo feitas pelo artista.
O show, marcado para o dia 19 de junho, marcaria o retorno de West à Polônia após 15 anos. Em nota oficial, o local alegou que a apresentação não será realizada por “razões formais e legais”.
A ministra da Cultura e do Patrimônio da Polônia, Marta Cienkowska, já havia classificado a contratação do rapper como “inaceitável”. Em suas redes sociais, a ministra foi enfática ao criticar o comportamento do artista:
“Estamos falando de um artista que expressou visões antissemitas, minimizou crimes e lucrou com a venda de símbolos nazistas. A cultura não pode ser um espaço para quem a utiliza para disseminar o ódio”, afirmou Cienkowska.
O cancelamento na Polônia é o mais recente em uma série de reveses para West no continente. Na última semana, o Reino Unido proibiu a entrada do rapper no país, onde ele se apresentaria no Wireless Festival. Na França, um show em Marselha também foi adiado recentemente.
A trajetória de Ye tem sido marcada por episódios críticos:
Fevereiro/2025: O rapper tentou comercializar camisetas com suásticas, resultando no banimento de sua loja pela plataforma Shopify.
Maio/2025: Lançou a faixa Heil Hitler, vinculando sua aproximação ao nazismo a problemas pessoais e financeiros.
Janeiro/2026: West publicou um pedido de desculpas no Wall Street Journal, atribuindo suas falas a um surto decorrente do transtorno bipolar.
A presença de West gerou indignação profunda na Polônia, onde a promoção do nazismo é crime punível com até três anos de prisão. O país carrega as cicatrizes da Segunda Guerra Mundial, período em que a ocupação alemã resultou na morte de milhões de pessoas em campos de extermínio em solo polonês — incluindo três milhões de judeus.
Chorzów, local onde ocorreria o evento, foi uma das primeiras cidades invadidas pelas tropas nazistas em setembro de 1939. Embora o Ministério da Cultura tenha admitido dificuldades jurídicas iniciais para barrar o evento, o consenso entre as pastas da Cultura e das Relações Exteriores prevaleceu para o cancelamento definitivo da performance.








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