Mortal Kombat 2 trailer
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Mortal Kombat II funciona como um acertado retcon

Continuação não deixa dúvidas de que adaptações de games são o novo “filme de super-herói”

Mortal Kombat II tinha como missão recuperar o respeito da marca como adaptação cinematográfica. O retorno do título de videogame da Midway ao cinema se deu em 2021, 24 anos depois da continuação do satisfatório Mortal Kombat, de 1995, o trash Mortal Kombat 2: A Aniquilação, de 1997, que enterrou de vez qualquer ideia de adaptação do jogo para as telonas por um bom tempo, apesar de os produtores estarem cientes do potencial de bilheteria da franquia. De fato, as condições não eram as ideais, o mundo ainda passava por uma pandemia, com cinemas funcionando com restrições de lotação e outros protocolos sanitários, e para piorar o filme ainda foi lançado simultaneamente no streaming da Warner, o HBO Max, o que fez muita gente preferir assistir em casa.

No entanto, esse contexto foi de certa forma favorável, pois, como não atraiu muito público pagando ingresso para assistir à nova adaptação, também não provocou manifestações irritadas de fãs em relação à produção que, embora acertasse em boa parte, trazia problemas no desenvolvimento, além da escolha equivocada de um protagonista que não era personagem do jogo, e sim uma criação para o longa. Como a pouca bilheteria não manchou a reputação do filme, os responsáveis puderam desenvolver uma continuação até com certo apoio dos fãs, que acreditaram que seriam atendidos.

Em Mortal Kombat II destino da humanidade volta a ser colocado à prova. Desta vez, os lendários defensores do Plano Terreno ganham o reforço do canastrão carismático Johnny Cage em uma jornada desesperada para conter a sombra de Shao Kahn. Diante da tirania avassaladora do novo regime, heróis e antigos adversários são forçados a forjar alianças improváveis, deixando de lado o sangue derramado no passado em nome da sobrevivência coletiva. Em meio a arenas viscerais e confrontos que testarão os limites de cada guerreiro, uma batalha decisiva se aproxima para restaurar o equilíbrio entre os reinos e selar, de uma vez por todas, a sorte de todos os habitantes.

Esta nova adaptação do game funciona mais como um retcon. Busca consertar o que deu errado no anterior e explorar melhor os acertos. A escolha de Johnny Cage para emular o olhar do espectador naquele mundo – papel que coube ao inexpressivo Cole no filme de 2021 – se mostrou a melhor decisão. O ator Karl Urban (The Boys) interpreta uma versão cansada e decadente do astro de ação da era do VHS, que no jogo era visivelmente inspirado em Jean-Claude Van Damme. Ele é responsável também pelo alívio cômico, apesar de sua personalidade niilista, fazendo diversas piadas referenciais.

Para a alegria dos fãs, agora temos um torneio de fato. E todas as regras, incluindo cenários, são reproduzidas com muito respeito à versão videogame. Fica claro que o diretor Simon McQuoid pretendia elevar MK a outro nível nessa sua volta à função. Ao lado do roteirista Jeremy Slater, buscou explorar aquele mundo, obedecendo o cânone, mas, sobretudo, colocando lutas de encher os olhos e que remetem diretamente ao game. Mortal Kombat II quase não deixa tempo para o espectador respirar. Em determinados momentos, até fica uma vontade de ativar um joystick imaginário, no afã de direcionar os combates.

Além de Urban, no elenco se destacam Adeline Rudolph (Riverdale, Hellboy e o Homem Torto), que encarna a princesa guerrreira Kitana com galhardia, a presença imponente de Martyn Ford como o vilão Shao Kahn, e o bom entrosamento entre os personagens já apresentados em Mortal Kombat: a Sonya Blade de Jessica McNamee, o Jaxx interpretado por Mehcad Brooks, e o Liu Kang vivido por Ludi Lin, agora bem mais satisfatoriamente. Claro, trata-se de um filme de artes marciais, não espere atuações shakespearianas. Mas dentro da proposta estão todos bastante adequados.

Mortal Kombat II tem seus calcanhares de Aquiles, é verdade. Há alguns furos, uma ou outra coisa sem muito sentido. Mas isso também é inerente ao gênero cinematográfico no qual o videogame se inspirou no início dos anos 1990. E o filme também absorve o espírito daqueles filmes de ação caras-de-pau que faziam sucesso nas locadoras (quem não se lembra da gloriosa Cannon Films?). Para os fãs do jogo, um deleite ver na tela uma adaptação tão acertada, e a ameaça de que pegassem leve nos fatalities para diminuir a censura já foi afastada. As mortes não aliviam no gore, e um fatality em particular vai fazer os gamers de primeira hora pularem da cadeira em êxtase. Se pairava a impressão de que os games estão tomando o lugar dos super-heróis no posto de menina dos olhos dos estúdios, esse MKII não deixa dúvidas.
 

Mortal Kombat II

Mortal Kombat II
8 10 0 1
Nota: 8/10 - Excelente
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