A pura loucura desvairada desta aventura de fantasia e viagem no tempo do co-roteirista Gregory Widen e do diretor Russell Mulcahy, agora em relançamento [no Reino Unido] pelo seu 40º aniversário, pode ser melhor descrita como Terry Gilliam encontra James Cameron. As feições esculpidas de sua estrela franco-americana Christopher Lambert – uma espécie de Marlon Brando do VHS – são uma pequena fonte de diversão por si só e seu sotaque escocês tem que ser ouvido para não se acreditar. E o pequeno papel de Celia Imrie como a sexy, mas ambígua aldeã escocesa do século XVI, sela o acordo sobre o status de culto de Highlander: O Guerreiro Imortal. Quarenta anos depois, isso depende mais do que nunca de apreciar seu traço de comédia ácida e impassível.
A história maluca de Highlander diz respeito a Connor MacLeod, interpretado de forma ardente por Lambert, um jovem guerreiro fervoroso nas Terras Altas da Escócia na década de 1530, que parece ter sido morto durante uma guerra com o clã rival Fraser. Mas ele volta à vida, levando a comunidade exaltada a pensar que ele está possuído pelo demônio. Expulso da aldeia, sua única aliada é seu grande amor Heather (Beatie Edney), mas o casal fica surpreso ao encontrar o que parece ser um nobre espanhol vestido de forma afetada, interpretado por Sean Connery, que incidentalmente exibe neste filme algumas habilidades de equitação muito úteis. Ele informa a Connor que ele é um de uma raça secreta de imortais, uma revelação que Connor recebe friamente: “Você parece uma mulher, seu haggis estúpido!”.
Mas Connor não tem escolha a não ser aceitar seu destino, vivendo através dos séculos. Ele luta um duelo na Europa do século XVIII e, durante a Segunda Guerra Mundial, salva uma criança dos nazistas, que cresce para ser Rachel (Sheila Gish), sua secretária em um negócio de antiguidades que ele administra na Nova York atual sob o nome de Russell Nash. A cada 40 ou 50 anos, ele tem que continuar mudando sua identidade usando certidões de óbito e nascimento desviadas, o que significa que Highlander pode ser adicionado à longa lista de filmes e livros que pegaram emprestado o golpe de identidade falsa de Frederick Forsyth em O Dia do Chacal.
Mas a oficial da NYPD Brenda (Roxanne Hart) percebeu que algo está errado com o Sr. Nash, que está se preparando para um grande confronto com um imortal maligno chamado Kurgan, interpretado por Clancy Brown; como Connor, ele é um grande espadachim, e os imortais só podem ser mortos sendo decapitados. A tolice galopante do filme nunca para, embora seja talvez um gosto adquirido: aqueles que não conseguem se permitir podem se ver lembrados da crença de Quentin Tarantino de que os anos 1980 foram uma das piores décadas do cinema. Mas aqueles que conseguem se permitir o acharão singularmente peculiar, engraçado e excentricamente ambicioso.
*Por Peter Bradshaw via The Guardian








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