Ancine processa produtora de cinebiografia de Bolsonaro por gravações irregulares no Brasil

A agência abriu processo administrativo contra a norte-americana Go Up Entertainment por gravar o longa “Dark Horse” sem notificação prévia; empresa pode ser multada em até R$ 100 mil A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment devido a irregularidades nas filmagens de Dark Horse, cinebiografia do…


A agência abriu processo administrativo contra a norte-americana Go Up Entertainment por gravar o longa “Dark Horse” sem notificação prévia; empresa pode ser multada em até R$ 100 mil

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment devido a irregularidades nas filmagens de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, com Jim Caviezel (A Paixão de Cristo) no papel principal. O órgão lavrou um auto de infração após a empresa realizar gravações em território nacional sem cumprir as exigências regulatórias impostas a produções estrangeiras.

De acordo com a legislação do setor audiovisual brasileiro, a filmagem de obras internacionais no país exige obrigatoriamente a comunicação prévia à Ancine. O procedimento determina o envio de cópias dos contratos celebrados entre a produtora estrangeira e parceiras locais, além de um plano detalhado das atividades que serão executadas no Brasil — etapas que foram ignoradas pela responsável pelo longa.

Sediada na Califórnia (EUA), a Go Up Entertainment produz a obra em língua inglesa sob a direção do cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, que assina o roteiro em parceria com Mark Nowrasteh e o deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Segundo nota oficial da Ancine, o processo teve início a partir de uma denúncia. O órgão tentou contato com a produtora em duas ocasiões para solicitar esclarecimentos, mas não obteve retorno. Com a emissão do auto de infração, a Go Up passa a ter prazo formal para apresentar sua defesa. Caso a infração seja confirmada ao fim do processo, a penalidade prevista em lei varia de R$ 2 mil a R$ 100 mil.

Bastidores e controvérsias

O processo regulatório da Ancine é mais um capítulo no conturbado histórico de bastidores de Dark Horse. Em maio deste ano, o projeto esteve no centro de uma crise na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, após a divulgação de áudios pelo veículo Intercept Brasil. Nas gravações, o parlamentar negociava um repasse de cerca de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o financiamento da produção.

No mesmo período, a proprietária da Go Up Entertainment, Karina Gama Ferreira, tornou-se alvo de investigações da Polícia Civil de São Paulo. A apuração busca esclarecer suspeitas de fraudes em licitações vinculadas ao programa WiFi Livre SP, da prefeitura paulistana.

A Ancine ressaltou que o processo administrativo segue em sigilo relativo até a sua conclusão, momento em que as decisões e eventuais sanções aplicadas serão tornadas públicas. A produtora Go Up Entertainment foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre a autuação e as investigações, mas ainda não enviou posicionamento.