“Back to Black”; biografia genérica para um ícone nada genérico

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Numa das cenas mais emblemáticas do documentário “Amy”, de 2015, trabalho excepcional do diretor britânico Asif Kapadia, a câmera mostra a cantora Amy Winehouse numa de suas tentativas na reabilitação. Seu pai chega com uma equipe de TV de surpresa, e ela, visivelmente constrangida, o questiona que não fora avisada daquilo e que não queria ser exposta. Toda a cena é bem triste e expõe o quão sintomático aquilo demonstrava sobre a o presente e o futuro da cantora. Essa parte importante de sua biografia não aparece (nem de longe) na primeira cinebiografia de Amy, “Back to Black”. E isso já diz muito sobre o fato de seu uma obra aprovada pela família da cantora, vulgo seu pai.

Basicamente uma biografia romântica trágica. E um tanto reducionista. A diretora Sam Taylor-Johnson, que tinha feito um belo trabalho na cinebiografia de John Lennon anos atrás, inacreditavelmente tece uma história rasa sobre o impacto cultural de Amy, assim como a controversa relação do pai com o que ela foi se tornando. Tudo isso fez parte de sua derrocada, no mínimo, na superfície, algo que o filme não compreendeu.

Ainda que conte com um elenco que faz o que pode – Marisa Abela como Amy e Eddie Marsan como seu pai, são achados que dão até pena estarem nessa visão da história – toda a narrativa envolta da cantora é tão conhecidamente mais forte e exposta pelo público (outro fator que o filme pouco se apropria), que a sensação que estamos assistindo a um telefilme apressado chega a ser irritante.

“Amy”, o documentário de 2015, ainda é o retrato mais potente da artista, sobretudo diante desse lançamento. Como fã, talvez valha assistir pelas músicas. Mas talvez ouvi-las com a própria memória afetiva  faça muito mais sentido.

Back to Black

Back to Black
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Nota: 4/10 - Ruim
Nota: 4/10 - Ruim
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