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Toy Story 5 diverte, mas entrega apenas um “tapinha” emocional

Vale a pena assistir? Confira nossa crítica de Toy Story 5 e entenda como a nova animação da Pixar aborda as telas digitais, mas perde o fôlego emocional.

Entre a ameaça dos tablets e piadas fáceis, nova sequência da Pixar traz os brinquedos mais amados do cinema de volta, mas falha em entregar o soco emocional de outrora

Até o coração mais pétreo dá uma leve amolecida quando Jessie canta o tema ‘When She Loved Me’. Do mesmo Randy Newman do clássico absoluto ‘You’ve Got a Friend in Me’, a canção versa sobre como a dona da boneca supostamente deixou de amá-la — uma forma direta e devastadora de se comunicar com os pais que temem o dia em que seus filhos não precisarão ou não os quererão mais. Em Toy Story 5, os roteiristas partiram justamente deste ponto delicado da mitologia da franquia para encerrar o arco da cowgirl de brinquedo e dar uma argamassa emocional a esta quinta investida.

Neste novo filme, a menina Bonnie, que herdou os brinquedos de Andy e agora está com 8 anos de idade, é atraída para o mundo digital através do Lilypad, um tablet que suga a atenção da garota, fazendo-a se distanciar das brincadeiras tradicionais, para desespero de seus antigos companheiros. É nesse cenário que Woody retorna, mais velho e experiente, para ajudar a todos a enfrentar essa nova realidade. Junto com Jessie e Buzz Lightyear, o caubói segue uma jornada difícil de aprendizado sobre como lidar com a ameaça de extinção provocada pela tecnologia.

Aqui estamos de volta, sete anos depois, ao mundo dos brinquedos, levando vidas independentes de forma hilária quando as crianças não estão olhando (mas precisam se fingir de inanimados a qualquer sinal de aproximação humana): a caubói Jessie, que carrega o distintivo de xerife passado por Woody no quarto filme, lidera o grupo, incluindo o destemido Buzz Lightyear, o astronauta que está timidamente apaixonado por ela.

Enquanto isso, o lendário parceiro de franquia de Buzz, o caubói Woody — cuja antiga rivalidade com o astronauta vinha do fato, hoje praticamente esquecido, de que as histórias de ficção científica substituíram os faroestes na cultura pop americana — está vivendo longe deles, em uma espécie de existência selvagem ao ar livre e fora do controle humano com alguns outros brinquedos, romanticamente ligado a Betty (também jogada para escanteio). Woody tem um desbotamento na pintura de sua cabeça semelhante a uma calvície, além de uma barriga saliente, enquanto Buzz se vê obsoleto diante de seus iguais da nova linha. Isso serve para não deixar ninguém — sobretudo quem assistiu ao primeiro longa no cinema — esquecer que o tempo passou.

A verdade é que já nos “despedimos” de Toy Story tantas vezes que a situação começa a se tornar um pouco absurda. A franquia terminou pela primeira vez em 2010 com Toy Story 3, quando Woody, Buzz Lightyear e cia. deram adeus ao seu amado dono, Andy, que estava de partida para a faculdade, e se prepararam para uma nova vida com a pequena vizinha, Bonnie.

Depois, veio o final de Toy Story 4 (2019), um pseudoepílogo existencial sobre fazer as pazes com os muitos encerramentos da vida, quando Woody e Betty se aposentaram da vida de brinquedo para tentar a sorte no mundo lá fora. Ambos os desfechos arrancaram lágrimas dos adultos. Ainda assim, de alguma forma, a dupla reaparece na janela do quarto de Bonnie em Toy Story 5. Esqueça toda aquela evolução pessoal. Afinal, ainda há mais dinheiro a ser ganho.

O elemento central de Toy Story 5 é um tablet falante comprado pelos pais de Bonnie para ajudá-la a se socializar. Através desse novo dispositivo, o filme usa a personagem Jessie para dar voz aos medos reais dos pais em relação ao impacto da tecnologia na infância. No entanto, refletindo a própria história da Pixar com a evolução da animação tradicional para a 3D, o tablet não é retratado como um vilão clichê, mas sim como uma figura equivocada que genuinamente acredita estar fazendo o melhor pela garota.

Ocorre que o filme falha em construir qualquer tipo de conclusão significativamente satisfatória para ambas as propostas que lança, tanto a discussão sobre a influência digital sobre os pequenos quanto a conclusão do arco de Jessie. Isso se dá porque a trama se distrai rápido demais com um trio de gadgets obsoletos e bizarramente específicos da nova personagem Blaze: Rolinho (um penico digital), um hipopótamo com GPS e uma câmera fotográfica de brinquedo. Além disso, o esquadrão de Buzz Lightyears de alta tecnologia serve muito mais para esticar a duração e funcionar como deus ex machina em um momento decisivo.

Estamos falando de Pixar, e é claro que o padrão de qualidade está presente, tanto na parte técnica quanto na habilidade de envolver o espectador emocionalmente e por meio do carisma dos personagens. No entanto, embora explore um tema pertinente e atual, chega um ponto em qualquer franquia em que o fôlego natural se esgota. E, mesmo que o diretor Andrew Stanton e a codiretora Kenna Harris — ambos creditados aqui como roteiristas — ainda consigam extrair inteligência e imaginação das primeiras e mais eternamente adoráveis criações do estúdio, eles recorrem a emoções e piadinhas fáceis (como as proferidas por Rolinho, todas relacionadas a necessidades fisiológicas). O que antes funcionava como um verdadeiro soco emotional, aqui não passa de um tapinha de leve. Toy Story 5 é perfeitamente adorável, mas é também o menos inspirado da franquia.

Toy Story 5

Toy Story 5
65 100 0 1
Nota: 65 de 100% - Bom
Nota: 65 de 100% - Bom
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