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"Deixe a Luz do Sol Entrar" e inglória busca pela felicidade

Muitas vezes nos sentimos sós não pela falta de opções mas justamente pelo excesso. É o efeito colateral da banalização e, ao mesmo tempo, idealização dos relacionamentos na vida moderna. O filme “Deixe A Luz do Sol Entrar” (“Un Beau Soleil Intérieur”,França/Bélgica, 2017) reflete justamente essa insatisfação da era dos desencontros. Aplicativos de relacionamentos funcionam como verdadeiros cardápios. Há uma oferta em alguns casos superior à demanda, e, paradoxalmente nos quedamos em um insulamento doloroso. Como abraçar tantas oportunidades (aparentemente) incríveis? Como atingir a plenitude, ou ao menos a sensação?
Isabelle (Juliette Binoche) é uma artista, mãe divorciada, à procura de um amor. Aquele amor verdadeiro tão idealizado e ao mesmo tempo tão distante em tempos de relações descartáveis. O cenário não poderia ser melhor: a romântica Paris. A capital francesa é um dos primeiros lugares imaginados quando se fala em romance. Mas contrariando a fantasia que a cidade, ela também se insere na volatilidade de sentimentos que acomete os dias atuais. Isabelle parece não ter sorte, mas não desiste de buscar o par ideal.
A interpretação magnética da sempre reluzente Juliette Binoche encontra na câmera minimalista da diretora Claire Denis a cumplicidade para potencializar suas nuances na construção da jornada inglória da personagem. A cineasta começou sua incursão na sétima arte como assistente de feras como Costa-Gavras, Jim Jarmusch, e Wim Wenders. Fica latente a influência desses cineastas no exercício de pensar a condição humana.
"Deixe a Luz do Sol Entrar" e inglória busca pela felicidade | Críticas | Revista Ambrosia
Claire não tem pressa em desenvolver a batalha de Isabelle. Sua maior preocupação é construir um compadrio do espectador com a personagem. Lá pela frente, após acompanhar os casos, as brigas e desilusões da moça, a torcida é até involuntária. A classificação comédia romântica pode soar até um pouco estranha. Há um sarcasmo, mas o riso que sai é de aflição. Juliette Binoche carrega o pleno protagonismo mas seus coadjuvantes também têm seus bons momentos. E há uma charmosa participação de Gérard Depardieu.
“Deixe a Luz do Sol Entrar” não é sobre ter uma positiva mais positiva diante da conjectura. Mas sim sobre olhar em volta com bastante atenção e dar aquela chance para o inesperado, o não planejado. Afinal de contas, é melhor ser feliz do que ser triste…
"Deixe a Luz do Sol Entrar" e inglória busca pela felicidade | Críticas | Revista AmbrosiaFilme: Deixe a Luz do Sol Entrar (Un Beau Soleil Intérieur)
Direção: Claire Denis
Elenco: Juliette Binoche, Xavier Beauvois, Nicolas Duvauchelle
Gênero: Comédia Romântica
País: França/Bélgica
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Imovision
Duração: 1h 35 min
Classificação: 14 anos

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Publicado por Cesar Monteiro

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