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Festival do Rio: “Cosmos” é uma alegoria de como a linguagem é um meio de averiguar o absoluto

O que pode haver entre uma pousada e um pardal enforcado? Linhas de raciocínio que nem sempre obedecem a critérios lógicos, ainda mais em tramas de mistério. Quando as pistas a recuperar são a própria linguagem dentro de uma vasta tapeçaria chamada existência, o que se pode averiguar? Para uma legitimidade do “Cosmos”. O que é legitimo e o que é falso parece ser a linha pelo qual essa fábula doida, desenvolvida pelo cineasta polonês Andrzej Zulawski, de dois amigos que caem numa pousada para “descansar”. Um deles está escrevendo um romance e tem como primeiro nome, a mesma assinatura do homônimo escritor polonês Witold Gombrowicz, autor que dilapidou na literatura: o surrealismo e o nonsense em tramas detetivescas.

Há indícios que a toda uma significação animalesca que ronda a pousada em motes um tanto fúnebres. Pardais e frangos aparecem enforcados no jardim. A trama vai se alimentando da própria inspiração do escritor que escreve um romance e tenta a todo custo interpretar os signos como manchas na parede da pousada, objetos de corte que alinham direções à casa, toda uma rede de emblemas misteriosos que se instalam na rotina da pousada.

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Há, junto dessa rede de signos, uma estranha prosopopeia de trocadilhos com o excludente, aquilo que está fora da ordem da vida. Um jogo a não entender as regras. Um dos exemplos é o ECA, palavra repetida pelo dono da pousada como algo derivativo do nojento, mas não é só isso, algo que também possa trazer um tédio existencial à vida. Não à toa, Satre é citado em algumas passagens do filme. Há uma linha histriônica de interpretação que não resvala para caricatura. Pois dentro do filme há muito no que pensar num subtexto poderoso que oscila entre a linguística e a literatura.

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