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Festival do Rio: “Introdução à Música do Sangue” não justifica nem seu título

Depois de Ruy Guerra, a Premiere Brasil, do Festival do Rio 2015, apresentou mais um retorno aos cinemas de um reconhecido diretor que estava distante, pelo menos, dos longas de ficção: Luis Carlos Lacerda, dos premiados Leila Diniz e For All – O Trampolim para Vitória. Introdução à Música do Sangue é seu novo trabalho, baseado num texto inacabado do escritor Lúcio Cardoso e isso fica bem claro no resultado final apresentado.

A história gira em torno de uma pequena família que vive no interior de Minas Gerais, em uma pequena casa sem energia elétrica. O patriarca não quer saber de instalar luz no local, para desespero da esposa interpretada, que sonha com a eletricidade como forma de facilitar sua vida. Completa o núcleo familiar a jovem Isabel (Greta Antoine), que desconhece sua origem familiar.

A vida do trio é modificada com a chegada de um funcionário de uma fazenda vizinha (Armando Babaioff), que logo se interessa pela menina.

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O fiapo de trama e o alcance do discurso apresentado se revela carente de maior substancialidade, quase como um mero fetiche sexual a la Nabokov, com personagens unidimensionais e ritmo irregular cheio de takes que se pretendem poéticos, mas meramente gratuitos. Até o trabalho dos atores, em especial Ney Latorraca e Bete Mendes, é prejudicado pela falta de densidade naquele retrato de um vazio interior (pessoal e geograficamente) que revela uma abundância de desejos contidos.

Introdução à Música do Sangue definitivamente, não honra a experiência de seu diretor.

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