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Festival do Rio: Topp Twins – Garotas Intocáveis

Crítica por Natália Bittencourt.

Quando vi o título “Topp Twins – Garotas Intocáveis” minha primeira impressão foi de que veria um filme trash, respaldado pelo fato de o filme estar na mostra Midnight Movies do Festival do Rio. Quando li o início da primeira frase da sinopse:  “o filme conta a historia das gêmeas lésbicas” minha suspeita se confirmou e fiquei bastante empolgada – já que eu sou uma grande apreciadora do mau gosto e do bizarro , e minha empolgação ficou ainda maior quando vi o pôster. Pronto, fui para o cinema com completamente envolta por essas gêmeas lésbicas intocáveis e suas armas de plástico, que imaginei com bastante realismo e cor.

O filme começa e nada de armas de plástico ou bizarrice, a não ser que você considere os cortes de cabelo dos anos 80 como bizarrices, eu considero. O que o filme mostra são apenas duas meninas/mulheres/senhoras simpáticas que cantam country na Nova Zelândia e que tiveram foram espertas ao gravar suas vidas desde muito novas, como se de fato já estivessem fazendo esse filme há 30 anos.

Trata-se verdadeiramente de um documentário sobre a vida das gêmeas Jool e Linda Topp, que desde cedo se apresentam em praças publicas ou qualquer outro lugar que lhes ceda espaço para que outras pessoas possam ouvir suas musicas e rir de suas piadas. Desinibidas, politizadas, talentosas, peculiares e absolutamente cativantes, essas fazendeiras conseguiram através do humor e de suas musicas atrair a atenção de políticos, de pessoas da mídia e do publico geral para questões humanas, ecológicas e sócio-políticas, mudando inclusive algumas leis e a postura das pessoas em relação ao homossexualismo na Nova Zelândia.

Participando ativamente do movimento contra o apartheid, contra a discriminação sexual a favor da mudança da lei dos direitos humanos para inclusão dos gays e lésbicas, Jool e Linda lutaram pela preservação de terras indígenas e, segundo o filme, foram bem sucedidas em todas as suas empreitadas. Mantêm até hoje forte engajamento político e continuam batalhando por um mundo livre de armas nucleares, medo muito presente na juventude das duas. Ainda sem medo de passar vergonha criaram alguns personagens que viraram lendas no país e se apresentam até hoje com grande vigor.

Apesar de não ser o que eu esperava, as gêmeas lésbicas agradaram a min e a todo o pequeno publico do cinema (os loucos que estavam meia noite numa sexta-feira vendo um documentário neozelandês sobre cantoras country lésbicas). Depois da primeira piada fomos cativados para esse universo de cidade pequena com cheiro de lenha queimando, onde a maior diversão que se pode imaginar é pintar com diversas cores, no melhor estilo giz de cera, lindas e inocentes ovelhas brancas. Num país onde se diz “quel” ao invés de “cow” e que o esporte oficial é rugby e não o futebol. E devo admitir que essa viagem foi uma delícia.

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