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Festival do Rio: Uma economia do casal depois de uma separação é o mote do ótimo “A economia do amor”

Se o amor tem suas leis; a falta dele num casamento já tem em um contexto bem próprio, as leis da economia. No filme que está passando no Festival do Rio em vários horários, A Economia do Amor do diretor belga Joachim Lafosse, o mesmo do ótimo “Propriedade privada”. Um casal depois de 15 anos (Marie, a esposa, interpretada pela atriz Berénice Bejo, ótima, e o marido Boris, interpretado por Cedric Kahn) casados e com duas filhas de 8 anos se separam.

Mas a grande equação a ser resolvida no filme é que um cônjuge (o marido) não tem para onde ir. Um dilema para a família desmembrada, uma nova forma de convivência – que para padrões brasileiros seria um pouco impensável; e daí se apresenta uma outra forma de contextualização de uma desconstituição familiar. Ele, Boris, fica na casa que eles moraram durante quinze anos. Só que já numa separação já pré-estabelecida, ele tem certos dias da semana para ficar junto às filhas e ter algum espaço sobre a casa.

a-economia-do-amor-cinema-festival-do-rioNos outros dias ele fica em um quarto onde ele promete não interferir no cotidiano da casa. Nos dias dele, ela sai para algum lugar para deixarem eles juntos.  Este acordo é uma espécie de espera até eles venderem a casa e repartir o montante da venda. Só que ambos não chegam a um acordo quanto a quantia. Ele quer metade do valor, já que reformou a casa inteira para valoriza-la. Ela quer dar um terço, pois durante a união ele pouco ajudava no seu sustento.

A forma com a afetividade entre os pais e as crianças é colocada no filme é muito interessante. Porque vemos um ajuste de como uma família que deixou de existir pode ser absorvida pelo olhar e afeto de duas crianças, e sendo que a disputa entre eles por questões como quem deu o tênis para o futebol para uma das filhas pode gerar desconforto na afetividade delas. O diretor com uma câmera bem próxima a ação dramática, realiza um estudo de como o fator econômico dinamiza uma separação, em aspectos muitas vezes bem conjunturais.

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