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“Gonzaga – De Pai Para Filho” e a simplicidade de ser apenas um cinema popular

A ótica passional das relações humanas, em especial a familiar, ainda é o grande trunfo artístico do cineasta Breno Silveira. E é por ela que enxergamos (e digerimos) seus melhores filmes. Com Gonzaga – De Pai Para Filho isso se reflete na quase despretensão com que acompanhamos o drama familiar do rei do baião e seu filho Gonzaguinha.
O drama mostra a trajetória da carreira musical, os amores e amarguras do grande Luiz Gonzaga, o rei do baião. Tomando como base o seu relacionamento conturbado com o filho, a produção apresenta as diversas facetas do homem que fez com que o forró ganhasse alcance nacional, sacrificando sua relação afetiva.
Breno sabe filmar a simplicidade de um cinema puramente popular. Não que isso signifique algo popularesco. Os sentimentos são sinceros e a narrativa flui de maneira previsível, porém com propriedade sobre a história que se propõe a contar. A tensa e passional relação (ou falta dela) construída entre esses dois ícones da música brasileira é o principal chamariz  e força dramática da trama. Existe muito mais do que uma simples amargura ressentida ali. Existem os extremos das razões que justificam uma emoção. Nessa justificativa, o filme nos ganha e nos leva a reflexão sobre o papel da figura paterna. Aí, tudo vira universal. O diretor não é bobo por investir nessa equação, e como fez no tocante Dois Filhos de Francisco, faz da nobreza do afeto um grande filme. Nem vale citar performances específicas, pois todo o elenco está sincronizado. Enfim, é um filme de pai para filho, mas essa paternidade é coletiva.
[xrr rating=4/5]

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