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Gracioso, "Refém da Paixão" é um tanto poético

Muitas vezes bons filmes estão mascarados e não se dá muito crédito a eles até que anos passem (ou meses) e eles cheguem a um canal pago ou até mesmo a tv aberta. E então, ao assistí-los fica aquela sensação de que talvez, apenas talvez, devesse ter dado uma chance a ele no cinema. Possivelmente esse seja o caso de “Refém da Paixão”, o que seria lamentável.

Adele (Kate Winslet) é uma mulher depressiva que tem como única companhia seu filho adolescente Henry (Gattlin Griffith). É ele o responsável por fazer as compras, lavar, passar, ir ao banco e demais tarefas geralmente designadas a um adulto. Em uma ida a uma loja local eles encontram com Frank (Josh Brolin) que está ferido e pede por ajuda. Na verdade, Frank está foragido da polícia e acaba se escondendo na casa deles em pleno feriado de final de verão. E esses três dias vai mudar para sempre o rumo de suas vidas.

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Dirigido e escrito por Jason Reitman, que tenta apagar o fiasco que foi “Jovens Adultos”, este é um filme mais introspectivo, lamurioso e um pouco poético. Reitman tira do livro de Joyce Maynard (“Labor Day”), a essência de diferentes formas de sofrimento e as auguras do amor. Nada disso seria possível sem as excelentes atuações do elenco. Kate Winslet está brilhante e interpreta de uma forma tão tocante e comedida que ainda assim consegue impactar o espectador. Josh Brolin, como seu par, se mostra mais ator do que seus outros papéis lhe exigiram e o jovem Gattlin Griffith é um verdadeiro deleite. Um outro personagem, não tão evidente, é a casa que parece pertencer totalmente a um mundo paralelo e que guarda o segredo de todos.

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A forma como Reitman escolheu contar a história, em meio a paisagens bucólicas e com uma fotografia alaranjada, nos insere imediatamente naquele universo do passado, mas, é preciso estar comprometido a trama, pois mesmo tendo histórias paralelas, os personagens Adele e Frank só fazem sentido quando unidos, já que um acaba por completar e ensinar ao outro que há sim esperança em um novo recomeço, e é necessário acreditarmos nisso. Mas, isso só acontece com o decorrer do filme graças aos flashbacks inseridos em pontos estratégicos. A narração fica por conta de um Henry adulto (Tobey Maguire) que através de lembranças do seu olhar de criança nos conduz pelos fatos, de forma progressiva, até os momentos finais, que não há como prever.

“Refém da Paixão” é sim um drama romântico, mas que foge ao convencional e nos faz questionar alguns conceitos implícitos como a estrutura familiar. Além de mostrar que a vida sempre lhe dará mais do que uma chance de ser feliz, mesmo que demore.

Em cartaz nos cinemas.

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Publicado por Melissa Andrade