Homem Aranha Longe da Casa
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“Homem-Aranha: Longe de Casa” expande os horizontes do Cabeça de Teia com muita ação e humor

Dois anos depois do lançamento de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, filme que solidificou a parceria entre a Marvel Studios e Sony Pictures, eis que o aracnídeo mais amado do mundo retorna com uma responsabilidade ainda muito maior: encerrar a Fase 3 do Universo Cinematográfico Marvel após o acachapante sucesso de público e crítica de “Vingadores: Ultimato”, lançado apenas dois meses antes e ainda fresco na memória. Felizmente, a dupla Marvel/Sony mostra que sabe o que está fazendo e lança “Homem-Aranha: Longe de Casa” (“Spiderman: Far From Home”, 2019), que dá um certo respiro e alívio depois de tanta tensão causada por “Ultimato”, além de dar pistas sobre o futuro deste universo nos próximos anos, tendo o Amigão da Vizinhança como peça essencial para este processo.

A trama mostra como ficou o mundo após os eventos de “Vingadores: Ultimato”, em que todos procuram voltar às suas vidas normais. Uma dessas pessoas é Peter Parker (Tom Holland), que apesar de continuar agindo como o Homem-Aranha, não quer se envolver em algo muito complexo, ainda mais por já não poder contar com o auxílio de seu mentor, Tony Stark (Robert Downey Jr). Tanto que está fugindo das insistentes tentativas de contato de Nick Fury (Samuel L Jackson). Suas prioridades são a viagem para a Eurpa com seus amigos de escola e, nesse ínterim, conseguir ser mais do que um amigo para Michelle “M.J.” Jones (Zendaya).

O que Peter não contava era de que Fury, sempre ao lado da parceira Maria Hill (Cobie Smulders), acabaria se intrometendo em suas férias e fazendo o rapaz participar de uma missão para conter os Elementais, que seriam seres baseados em elementos como água, fogo e terra e capazes de causar grande destruição por onde passam.

Para ajudá-los, Fury e Hill contam com a ajuda de Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), que adota a alcunha de Mystério, e seria o último habitante de uma Terra paralela que foi destruída pelas criaturas. A princípio relutante, Peter acaba fazendo uma parceria com Mystério para impedir os ataques, ao mesmo tempo em que tenta curtir a sua viagem. Só que as coisas ficam cada vez mais complicadas e o herói aracnídeo descobre que nem tudo é o que parece.

A primeira coisa a se destacar em “Homem-Aranha: Longe de Casa” é a sensação de que houve um upgrade em praticamente tudo em relação ao filme anterior. A começar pela direção de Jon Watts, que também comandou “De Volta ao Lar”, mas aqui se mostra mais hábil para comandar não só as cenas que mostram a relação de Peter com os outros personagens como também está muito mais seguro para realizar as diversas (e, às vezes, complexas) cenas de ação, sempre dando a emoção necessária para que elas funcionem e empolguem. Vale destacar as sequências que mostram os confrontos do Aranha com os Elementais, além de uma que revela o alcance dos poderes de Mystério e a que marca a parte final do filme. Todas muito bem conduzidas por Watts, que se revela um diretor mais completo do que se esperava para o gênero.

Os efeitos especiais estão bem superiores aos que foram utilizados há dois anos. Agora, o público não terá mais a impressão de que Holland foi substituído por um boneco de borracha virtual quando o herói aparece balançando nos céus com suas teias. Isso é importante para que a imersão necessária para esse tipo de produção aconteça e faça o espectador ficar cada vez mais grudado na cadeira. Isso sem falar na bela fotografia, que ressalta os pontos turísticos de lugares como Veneza, Praga e Londres, além da trilha de canções em diversos idiomas, que ajudam a situar os locais da trama e até serem usados para dar mais leveza em alguns momentos da história.

Mais uma vez, Michael Giacchino, compositor de “De Volta ao Lar” e outros filmes como “Star Trek” e “Os Incríveis” faz um ótimo trabalho ao deixar na memória o tema principal do Homem-Aranha, que é acionado várias vezes, mas nunca cansa, por ser apropriadamente épico.

O roteiro, escrito por Erik Sommers e Chris McKenna, também está muito mais bem acabado e, assim como “De Volta ao Lar”, faz uma homenagem que pode passar batida para quem não viveu na década de 1980. Basicamente, as situações vividas por Peter e seus amigos durante a viagem remetem a “Férias Frustradas 2”, cujo texto é de John Hughes, que também foi reverenciado no filme anterior com sequências que emulavam o clima dos cultuados “Clube dos Cinco” e “A Garota de Rosa Shocking”.

O problema, no entanto, é que o humor de “Homem-Aranha: Longe de Casa” custa a engrenar e pode até aborrecer algumas pessoas por não ser tão engraçado quanto poderia. Mas parece haver uma espécie de ajuste por volta da metade da trama e as coisas entram nos eixos. Apesar deste pecadilho, Sommers e McKenna acertam no desenvolver da história principal e criam reviravoltas que podem deixar muita gente de queixo caído, mesmo que algumas cenas tenham diálogos expositivos demais, o que pode até entediar com tanta explicação.

Embora alguns fãs dos filmes anteriores do Homem-Aranha, principalmente os estrelados por Tobey Maguire, ainda torçam o nariz pela atuação de Tom Holland, não há como negar que ele foi o que melhor incorporou o espírito gente boa de Peter Parker que vem desde os quadrinhos. O ator tem carisma de sobra para criar uma empatia e fazer o público torcer para que seus planos de se divertir e até iniciar um romance nesta sequência sejam bem sucedidos. Tanto que as cenas que divide com Zendaya (que mostra melhor outras facetas de MJ neste filme), em que se mostra desajeitado demais com o sexo oposto, são as que mais chamam a atenção quando não está usando seu uniforme de super-herói (aliás, aqui ele usa três), tornando o envolvimento dos dois natural e envolvente.

Mas Holland também não decepciona na ação e nos momentos mais dramáticos, principalmente num momento em que tem uma conversa reveladora com Happy Hogan (Jon Favreau, também ótimo). Ou seja, Holland conseguiu aqui provar que será um ótimo Amigão da Vizinhança nos próximos anos.

Vale destacar também a participação de Samuel L Jackson, que faz com que Nick Fury seja um personagem ainda mais misterioso do que havia mostrado anteriormente e mantém a boa parceria que construiu com Cobie Smulders. Jacob Batalon, que faz o melhor amigo de Peter, Ned, mantém o bom humor já mostrado no filme anterior e, desta vez, divide mais tempo com Angourie Rice, que ganha mais importância aqui como Betty Brant do que na primeira aventura. Uma pena é que Marisa Tomei não tenha tanta importância aqui como a Tia May, embora tenha alguns momentos divertidos com Holland e Favreau. Mas sua personagem, devido a importância na vida do protagonista, poderia ter mais destaque.

Mas o grande ladrão de cenas é mesmo Jake Gyllenhaaal, que tem mais uma sensacional performance como Mystério. O ator consegue dar uma ambiguidade a Quentin Beck, a ponto de deixar os espectadores mais desavisados sobre suas atitudes e até se compadecer e torcer para que ele consiga os seus objetivos. Além disso, ele bate uma bola redonda com o protagonista e torna genuína sua consideração pelo jovem, tornando-o ainda mais dimensional do que seria esperado.

No final das contas, “Homem-Aranha: Longe de Casa” pode não ser o melhor filme estrelado pelo herói aracnídeo. Mas é com certeza acima do anterior em praticamente tudo e deixa um gostinho de quero mais quando ele acaba. Aliás, não saia do cinema antes do fim dos créditos porque, como de costume nos filmes da Marvel, há duas cenas que vão deixar um grande impacto na mente do público, que fará várias especulações para o que pode acontecer num futuro não muito distante. Ao que tudo indica, a Fase 4 do MCU tem tudo para ser ainda mais incrível e emocionante.

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