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“Invasão a Londres” satisfaz os fãs dos filmes de “Exército de um homem só”

Lançado em 2013, “Invasão a Casa Branca” (“Olympus Has Fallen”) foi o primeiro dos filmes que tinham a mesma temática: um homem tenta, sozinho, impedir que um grupo terrorista (ou algo parecido) destrua o endereço mais famoso de Washington D.C., mate o seu ilustre morador e, de quebra, abale as estruturas do American Way of Life. O outro foi “O Ataque”(“White House Down”), onde Rolland Emmerich, um dos reis da destruição do cinema, faz com que Channing Tatum sue a camisa para mostrar serviço contra um bando de caras maus na capital dos EUA.

Ambos não foram grandes sucessos de bilheteria, mas a produção comandada por Antoine Fuqua se saiu um pouquinho melhor na arrecadação. Isso acabou justificando a realização de uma sequência, três anos depois. Assim, “Invasão a Londres” (“London Has Fallen”) chega às telonas, como o próprio título sugere, com quase a mesma história, mas em um cenário bem maior, com muito mais tiros, bombas, explosões e atos de patriotismo do que no filme original. Mas, mesmo assim, o resultado não desagrada, especialmente a quem curte filmes de ação desse “estilo”.

"Invasão a Londres" satisfaz os fãs dos filmes de "Exército de um homem só" | Críticas | Revista AmbrosiaNa trama, vemos que Mike Banning (Gerard Butler) continua como agente do serviço secreto que cuida do ainda presidente Benjamin Asher (Aaron Eckhart), embora pense em mudar de vida, ainda mais que sua esposa, Leah (Radha Mitchell), está prestes a dar a luz a um filho seu. Mas a morte do primeiro-ministro britânico faz com que ele escolte o chefe de Estado americano até Londres, para o funeral, junto com sua superior, Lynne Jacobs (Angela Bassett).

Só que, chegando lá, descobre que um grupo terrorista aproveita o evento para assassinar líderes mundiais, em uma operação bastante elaborada em plena luz do dia. Mike consegue impedir que o presidente Asher seja morto, mas os dois precisam deixar a capital britânica logo, pois os criminosos estão em seu encalço e seus ataques deixaram a cidade bastante abalada. Ao mesmo tempo, o vice-presidente Allen Trumbull (Morgan Freeman) faz o possível, à distância, para que tudo acabe bem, junto com a cúpula do governo, além de descobrir o paradeiro do líder dos extremistas, Aamir Barkawi (Alon Aboutboul).

"Invasão a Londres" satisfaz os fãs dos filmes de "Exército de um homem só" | Críticas | Revista AmbrosiaCom uma história simples (escrita por quatro roteiristas!!!) e basicamente já vista em filmes anteriores, “Invasão a Londres” não esconde, assim como na primeira parte, que sua principal influência é a série “Duro de Matar”, onde um homem, sozinho, acaba com dezenas de bandidos fortemente armados usando apenas suas qualidades no combate corpo a corpo e seu treinamento militar.

O mais engraçado é que, mesmo que implausível, a coisa funciona e faz o público torcer pelo mocinho, que não mostra nenhuma compaixão e manda bala em quem cruzar em seu caminho (desde que esteja armado, claro), além de arranjar tempo para soltar uma piadinha ou frase de efeito.

"Invasão a Londres" satisfaz os fãs dos filmes de "Exército de um homem só" | Críticas | Revista AmbrosiaNo lugar de Fuqua, está o pouco conhecido diretor iraniano Babak Najafi, que realiza um trabalho competente, especialmente no uso dos efeitos especiais nas sequências dos ataques a monumentos londrinos. Uma cena que merece destaque é um tiroteio filmado para dar a impressão de que é um plano sequência (sem cortes), que funciona muito bem. O cineasta só peca em repetir alguns enquadramentos já feitos por Paul Greengrass nos filmes de Jason Bourne, estrelados por Matt Damon. Mas seu saldo não fica negativo.

"Invasão a Londres" satisfaz os fãs dos filmes de "Exército de um homem só" | Críticas | Revista AmbrosiaNo elenco, o destaque vai, mais uma vez, para Gerard Butler, que parece se sentir à vontade com o personagem e mostra muita disposição para as cenas de luta e tiros aos montes que acontecem durante o filme inteiro. Aaron Eckhart está um pouco mais ativo nesta sequência e chega a pegar em armas, mas não faz nada de excepcional para ganhar o título de “Super Presidente”, que ainda pertence a Harrison Ford por “Força Aérea Um” (1997). Morgan Freeman, mais uma vez, usa o seu carisma para se tornar marcante em cena, mas não vai muito além disso.

Vale lamentar o baixo aproveitamento das ótimas atrizes Angela Bassett, Melissa Leo e Radha Mitchell, cujos papéis são praticamente figurativos e elas não têm muito o que fazer na trama. A britânica Charlotte Riley tem um pouco mais de sorte como Jacquelin Marshall, uma agente que ajuda Mike a escapar dos terroristas e se sai bem, tendo mais relevância na história do que suas colegas. Já o israelense Alon Aboutboul faz uma atuação bem genérica e pouco marcante como o grande vilão.

"Invasão a Londres" satisfaz os fãs dos filmes de "Exército de um homem só" | Críticas | Revista Ambrosia“Invasão a Londres” conta com algumas reviravoltas fáceis de prever e não perde a oportunidade de ressaltar a grande nação que são os Estados Unidos e isso pode irritar a quem é contra discursos ufanistas. Mas quem só quer passar cerca de duas horas numa sala escura para se divertir e desligar o cérebro, pode ter neste filme uma boa opção. Mas, com certeza, não deve entrar na lista de melhores do ano.

É apenas um bom e esquecível passatempo, como vários que Hollywood lança a cada ano. Resta saber se o público está disposto a ver mais histórias com o agente americano casca-grossa e bom de briga nos próximos anos. Pelo menos, não devemos ter mais continuações de “O Ataque”.

 

Filme: Invasão a Londres (London Has Fallen)
Direção: Babak Najafi
Elenco: Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman
Gênero: Ação
País: EUA/Reino Unido/Bulgária
Ano de produção: 2016
Distribuidora: Diamond Films

 

 

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Publicação Célio Silva