Filmes

Jim Carrey no Rio

 

Goofy. A palavra que melhor define Jim Carrey é esta. Desde o momento que apareceu na porta do salão do hotel Copacabana Palace, onde a coletiva de imprensa desta segunda-feira aconteceu, o ator já fez caretas, gestos expansivos e piadas. Mesmo beirando os 50 anos, Jim Carrey tem algo de infantil em seu modo de agir, e talvez tenha levado isso ao extremo para apresentar à imprensa brasileira e latino-americana seu novo filme, Os pinguins do papai (Mr. Popper’s penguins, no original), que estreia dia primeiro de  julho por aqui.

O filme é mais um da tradicional ala do cinema de família: ideal para crianças, mas que pode divertir os pais também. É a história do homem de negócios Mr. Popper, cuja infância foi marcada pela ausência do pai, que viajava mundo afora em seu veleiro. Quando o pai morre, ele recebe sua parte da herança: um pinguim. E, em seguida, recebe mais cinco desses tradicionais animais da Antártida. O que é, inicialmente, um caos para Popper, se torna, a partir do momento em que seus filhos encontram os pinguins, parte imprescindível de sua família. Mas, a ideia de manter seis pinguins em um apartamento não vai passar impune.

Jim Carrey, o Mr. Popper, conta que a parte mais difícil das filmagens foi o frio do apartamento. A trama se passa em pleno inverno nova iorquino, um dos mais rigorosos já vistos, e com janelas abertas e muita neve na sala para manter os bichinhos no seu habitat. O ator explica que adorou filmar com pinguins – seu animal preferido -, ainda que a maior parte do longa-metragem tenha sido rodada com bichos mecânicos. Quando em contato com os pinguins, ele mantinha peixes nos bolsos para atraí-los. “O problema”, diz ele, “é que os pinguins não sabem a diferença entre peixes e dedos!”

Algo que também chamou a atenção de Carrey nos pinguins foi a imprevisibilidade. Ele conta que eles gritavam aleatoriamente durante as filmagens e compara essa característica com uma vontade que, segundo ele, todos nós temos às vezes: simplesmente gritar, sem mais nem menos. E ele grita. Uiva. Bate na mesa. Faz careta. Chama a repórter do programa Hoje em Dia, da TV Record, de bonita – duas vezes -, chama o repórter da rádio CBN de não tão bonito assim…

Algumas piadas são recebidas com silêncio, como a brincadeira que faz dizendo que queria ir para a Floresta Amazônica para ser caçado – tentando fazer uma referência a Ace Ventura. Nessa, ele falhou, não teve o timing da piada. O jeito goofy – e se você se perguntou a tradução para goofy, talvez ela seja tonto ou pateta, difícil dizer – às vezes cansa.

Em momento algum ele esboça seriedade – no semblante, digo. É verdade que, no entanto, menciona pejorativamente a ideia de produtores terem tentado fazer continuações de seus filmes com outros atores, como é o caso de Debi e Loide. “É estranho que eles lhe perguntem ‘Você quer fazer a continuação do seu filme?’ e se você diz não, vão buscar outros atores” afirma ele, que chegou a fazer a continuação de Ace Ventura e prevê a de outros filmes seus para o futuro. E ele ainda imita os que criticam: “Oi, você quer fazer o papel de outra pessoa na continuação de um filme?” Essas alfinetadas, vale lembrar, são dadas sutilmente, em meio a muitos risos – seus e da plateia.

Sobre a vida pessoal, apenas comentários menores sobre, por exemplo, a preciosidade de ver o neto olhar para ele como se dissesse “Ei, eu te conheço!” Seu único neto é Jackson, de um ano e meio. “Ser avô é uma redescoberta do mundo para mim”, afirma o canadense James Eugene Carrey. Sobre sua própria infância, ele lembra que iniciou a mania de fazer sons estranhos e caretas na frente do espelho durante os longos períodos em que ficava de castigo. Seus pais, inicialmente, ficaram preocupados com os hábitos curiosos.

Jim Carrey afirmou que antes da coletiva tinha acabado de almoçar com Rodrigo Santoro, com quem contracenou no filme O Golpista do Ano e, no dia anterior, havia visitado o Cristo Redentor. “Agora quero ir a Ipanema ver se acho a Garota de Ipanema!”, completou.

O Ambrosia.com.br publica, na quinta-feira, 30 de junho, resenha sobre o filme familiar que também tem a octagenária Angela Lansbury no elenco.

 

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