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Kick Ass – Quebrando Tudo

Imaginem um nerd genuíno que decide se transformar em super-herói, pouco se importando com o fato de não ter super poderes e ser um adolescente comum. Afinal, se um dos maoiores heróis dos quadrinhos também o é, por que não ele? Essa é a premissa de Kick-Ass – Quebrando tudo (Kick-Ass, E.U.A/2010), que estreia nesta sexta em grande circuito. Uma peculiaridade é que essa adaptação de HQ para as telonas foi concebida quase que simultaneamente à obra original, ou seja, são duas obras gêmeas.

Kick-Ass saiu da cabeça do quadrinista Mark Millar que tem no currículo uma curiosa releitura do “Super-Homem, Red Son” (que mostrava como seria se a nave doi último filho de Krypton tivesse caído na União Soviética, e não nos Estados Unidos), uma versão alternativa dos heróis da Marvel Os Vingadores transformados em Os Supremos, e Wanted (Procurado), que foi adaptado para o cinema em 2008 com Angelina Jolie no elenco. Com o sucesso de O Procurado, Millar resolveu oferecer sua nova série para também virar filme, Jane Goldman, esposa do apresentador de rádio e TV britânico Jonathan Ross, amigo de Millar e ávido colecionador de quadrinhos e memorabilia relacionada, se empolgou com o argumento e entrou em contato com o diretor Mathew Vaughn, cujo último filme, Stardust – O Mistério Da Estrela, teve o roteiro assinado por ela. Vaughn se tornou instantaneamente fã de Kick Ass e tocou a adaptação com paixão.

A trama do filme é quase rigorosamente fiel à HQ (tirando uma ou outra linceça para dar mais agilidade, uma vez que, agora, a história é mostrada em movimento): Dave Lizewski (Aaron Johnson, ótimo), adolescente tímido, impopular no colégio sobretudo com as garotas, fã inveterado de quadrinhos de super-heróis resolve criar uma identidade secreta para combater o crime e se tornar popular como um vigilante intitulado Kick Ass. Compra seu “uniforme “ no Ebay e sai pelos becos de Nova York armado de dois bastões para combater o crime. As primeiras tentativas são bisonhas, afinal faltam–lhe poderes e habilidades, mas em uma missão após apanhar muito, sua ação foi captada por câmeras de celular e jogadas no YouTube obtendo recorde de acessos, daí, Kick Ass se torna o novo “amigo da vizinhança”. Mas seu caminho ainda cruza com o de verdadeiros vigilantes,e ele vê que, ao contrário do que pensava, não é o único que teve a ideia. É aí que entra em cena Big Daddy (Nicholas Cage sob medida) e Hit Girl (Chlöe Grace Moretz, que põe o filme no bolso), pai e filha que formam uma espécie de versão politicamente incorreta de Batman e Robin.

Kick Ass teve alguns problemas para ser aceito pelos estúdios, sempre tinha alguém querendo reduzir o número de palavrões, a quantidade de sangue. Chegaram até a sugerir que a Hit Girl tivesse dezoito anos e não onze, e que não houvesse sangue em suas lutas. Mas Vaughn bateu pé firme e não descaracterizou nada. O filme é recheado de palavrões, muito sangue e as cenas em que a Hit Girl, a verdadeira kick-ass, está em ação devem ter deixado Tarantino louco. Vemos também aqui uma crítica mordaz ao culto às celebridades instantâneas, onda de realidade na tv e à força de difusão absurda da internet. Como não podia deixar de ser, as referências ao universo dos super-heróis, especialmente Homem-Aranha são abundantes, o que torna o filme ainda mais divertido para fãs do gênero. A narração “em off” é idêntica à de Peter Parker no filme de Sam Raimi e as primeiras tentativas de Dave de testar suas “habilidades” de  saltar também são claras referências à película do aracnídeo.

Kick-Ass é um acerto em cheio, deixando no chinelo boa parte das adaptações de quadrinho lançadas ultimamente, geralmente caça-níqueis. Edição impecável, ótima trilha e um roteiro trabalhado com  engenhosidade, bom ritmo, além, é claro das ótimas tiradas das linhas de diálogo. E vai haver continuação nas duas mídias, tanto no papel quanto no celuloide. É torcer para que o nível de qualidade seja mantido.

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