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“Linha de Ação” é entorpecido pelo gênero a qual faz parte

O gênero thriller é em si mesmo um exercício de rigor narrativo muito expansivo e promissor a ser explorado. O problema é que muitos diretores se deixam levar pela armadilha de justificar uma trama pelo gênero, agregando superficialidade a história contada, tanto em aspectos cênicos quanto ligados diretamente ao roteiro. Linha de Ação, péssima tradução nacional para Broken City é o mais novo exemplo disso.

No filme, Mark Wahlberg é Billy Taggart, um ex-policial de Nova York que carrega o peso de um homicídio retratado logo no início da projeção ao matar um sujeito basicamente à queima-roupa. O filme abre com seu julgamento do caso, e após se livrar legalmente das acusações alegando legítima defesa, o personagem perde seu distintivo, passando a  trabalhar como detetive particular, investigando traições de maridos e esposas, que muitas vezes não o pagam inclusive. Sua vida ganha uma reviravolta quando o prefeito da cidade de Nova York, vivido por um bronzeado Russell Crowe, suspeita da traição de sua esposa (Catherine Zeta-Jones), e pede para que o protagonista lhe faça uma investigação. Entretanto, Billy acaba se vendo enredado num jogo de intrigas bem mais espinhosos do que uma simples investigação de infidelidade.

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Com produção (e prestígio para tal) do próprio Wahlberg, o filme conta com a direção de Allen Hughes, em seu primeiro trabalho solo atrás das câmeras. Allen é um dos irmãos Hughes, e ao lado de seu gêmeo Albert, esteve no comando de filmes como “Perigo para a Sociedade”, “Ambição em Alta Voltagem”, “Do Inferno” e “O Livro de Eli”. Vamos dizer que Allen veio perdendo a mão ao longo dos anos, principalmente em seus dois últimos filmes (em parceria com o irmão), onde repete aqui a mesma fragilidade de descansar na estética o viço de seus filmes. Linha de Ação é recheada de furos no roteiro, pautadas em trama sem qualquer substancialidade que valha. Os atores (sem exceção) atuam no piloto automático e a conclusão é previsível. Mas é inegável que aqui, Allen é maniqueísta num gênero fácil de ser manobrado, portanto, os sucessivos defeitos quase são suplantados pelo verniz geral. É um defeito claro, mas um tanto sedutor.

[xrr rating=2,5/5]

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