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“Missão: Impossível – O Acerto Final” é exatamente o que se espera

O “final” da longeva franquia “Missão: Impossível”, protagonizada por Tom Cruise há quase trinta anos, era, obviamente, muito aguardado, e não podia ser diferente do que se pode conferir (já há sessões antecipadas no Brasil neste fim de semana). “Missão: Impossível – O Acerto Final” tem todo um tom de último episódio de um seriado, fazendo acenos e homenagens ao legado MI, tanto aos filmes anteriores quanto à série que o originou.

Nessa decisiva missão, Ethan Hunt (Tom Cruise), mergulha novamente em uma corrida contra o tempo para impedir uma ameaça que pode redefinir o equilíbrio do mundo. Desta vez, o agente enfrenta uma inteligência artificial fora de controle, que coloca em risco não apenas governos e agências, mas a própria noção de realidade como a conhecemos. Nessa busca pela chamada Entidade, Ethan acaba se deparando com grandes governantes poderosos ao redor do mundo, que podem atrapalhar a operação de sua equipe, além do vilão Gabriel (Isai Morales), que pretende se apoderar dessa IA para dominar o mundo.

Desde o início, com o filme de Brian De Palma de 1996, a série Missão: Impossível tem contado com uma de suas armas mais valiosas — e nada secretas: Tom Cruise e sua impressionante dedicação a cenas de ação arriscadas, sempre realizadas sem o uso de dublês. Em “Acerto Final”, o astro leva essa marca registrada a um novo patamar, e é justamente aí que o filme se destaca em relação ao anterior, “Acerto de Contas”. As sequências de ação são espetaculares e, em grande parte, foram mantidas em sigilo durante o material promocional, o que até fez o público estranhar, já que Cruise costuma realizar vários featurettes de suas façanhas para promover os longas. Mas foi esse sigilo que garantiu surpresas empolgantes ao público. Afinal, ficamos sem saber ao certo (sobretudo na perseguição aérea de tirar o fôlego no clímax do filme) o que o astro realizou de fato e em que momento ele foi substituído por dublê. Essa resposta saberemos apenas quando saírem os extras de Blu ray, já que streamings não costumam disponibilizar esse tipo de material.

Fica claro que “Acerto de Contas” (ex-Parte 1) preparava o terreno para algo maior e mais ambicioso. O diretor Christopher McQuarrie, parceiro de crime de Cruise, e que comandou todos os MI desde “Nação Secreta” (2015) – além de roteirizar outros filmes com o ator como “No Limite do Amanhã” (2014), “A Múmia” (2017), “Top Gun: Maverick” (2022) -, preferiu apostar no seguro. Sem grandes arroubos artísticos, sua principal atenção foi à escala do espetáculo. Ele procura equilibrar um tom mais intimista, como o formato que deu origem a tudo, a TV, com o espetáculo que sempre foi a marca registrada não só da franquia, como vem sendo exigência de Cruise em suas últimas produções. Não podemos esquecer que Maverick estava pronto para ser lançado em 2020 e o astro não abriu mão de um lançamento nos cinemas dentro de um cenário de normalidade, mesmo com as salas reabertas antes do fim da pandemia com restrições. O resultado, a segunda maior bilheteria de 2022, superada apenas por “Avatar: Caminho da Água”, já no final do ano.

Cruise é o astro da franquia e não deixa que fique nenhuma dúvida a respeito disso. Por mais que o restante do elenco tenha seus momentos para brilhar, a trama lembra o tempo todo quem é o dono da bola, e nesse ato final – pelo menos é como está sendo vendido – não poderia ser diferente. A organização da equipe de Hunt mimetiza a forma como a produção funciona, com o ator exercendo o papel de produtor e protagonista da série e todos ali cumprindo seus papéis de forma eficaz. Ving Rhames, Hayley Atwell, Simon Pegg, trazem Luther, Grace e Benji, respectivamente, com graça mas cientes de quem é o líder e quem vai decidir o jogo. Hunt toma para si o peso da parte mais arriscada da missão, e não é exatamente o que Cruise faz?

Se “Missão Impossível: O Acerto Final” não causa o impacto dos seus três antecessores, dessa que pode ser considerada uma quadrilogia, culpe o fato de McQuarrie elevou o padrão da franquia a um nível de espetáculo visual e engenhosidade de roteiro que ficou difícil para ele próprio superar. Esse oitavo longa é exatamente o que se esperava: a solução do problema criado pelo antecessor, ainda que, se tirarmos todo a roupagem marota, seja a velha reedição do que já vimos em 007 à exaustão, sem surpresas e com desdobramentos previsíveis. Ainda assim o bom nível de entretenimento é mantido. Missão cumprida!

Missão: Impossível - O Acerto final

Missão: Impossível - O Acerto final
7 10 0 1
Nota: 7/10 - Ótimo
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