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Os Melhores Filmes de 2025

As produções cinematográficas mais relevantes do ano

Nesta retrospectiva, apresento os grandes destaques do cinema no ano que se encerrou. Confira abaixo:

UMA BATALHA APÓS A OUTRA de Paul Thomas Anderson (HBO Max) – O MELHOR FILME DE 2025

Uma Batalha Apos a Outra

Porque Paul Thomas Anderson é o grande diretor americano do cinema moderno. Fato. E sua observação sobre as lacunas morais da América segue dizendo muito sobre como ela está perdida. O domínio sobre forma e discurso é absoluto a ponto de mimetizar tamanha observação através de uma enviesada trama sobre paternidade. E a já clássica cena de perseguição na estrada demonstra o alto nível em que o cinema de PTA sempre esteve. Que venha o (já atrasado) Oscar.

ANORA de Sean Baker (Prime Video)

Anora cena

Porque o merecido ganhador do Oscar ano passado, chega ao paroxismo da obsessão do diretor Baker em seu cinema: a relativização do sonho americano sob a perspectiva dos marginalizados sociais. E para isso criou uma protagonista banhada a humanidade e controvérsia, com um mundo que a cerca provocando tudo o que suas nuances podem representar de mais crível. FILMAÇO!

FOI APENAS UM ACIDENTE de Jafar Panahi (em cartaz)

Foi apenas um acidente

Porque o genial e sempre contundente diretor Jafar Panahi constrói uma precisão cognitiva da história para aglutinar a memória, o trauma e o instinto agindo sobre a razão para nos fazer lidar com a universalidade do dilema moral. E o final… desesperador, e que demonstra o poder do cinema de Jafar, que amedronta até o regime ditatorial de seu país.

PECADORES de Ryan Coogler (HBO Max)

Sinners4

Porque o que tem de mais interessante no audiovisual norte-americano é o surrealismo negro. E que delícia é ver um roteiro original e demasiadamente crítico, fazendo dinheiro nas salas de cinema dos mundo todo. A sonoridade blues faz tanto sentido quanto o discurso em si e Coogler sabe espetacularizar as feridas que a America abriu sobre sua raça.

O A GENTE SECRETO de Kleber Mendonça Filho (em cartaz)

O Agente Secreto cena

Porque é O MELHOR FILME NACIONAL DO ANO pela grandiosidade com que Kleber agrega a sua história (ambição essa que também expõe seus defeitos), mas também a inteligência com que ele vai trazendo para seu filme as questões políticas de uma passado não muito distante, ao mesmo tempo em que traz a noção de reconstrução, seja de uma identidade, de um seio familiar ou de seu protagonista com seu passado. Complexo e provocador.

CONCLAVE de Edward Berger (Prime Video)

Conclave cena

Porque ter uma narrativa elaborada em cima de um jogo de intrigas elegantemente dirigida por Berger, torna essa adaptação ainda mais potente, sobretudo por seu final, de ressonância política sobre o papel da igreja desde a sua existência.

A SEMENTE DO FRUTO SAGRADO de Mohammad Rasoulof  (aluguel digital)

A Semente do Fruto Sagrado

Porque a crítica ao regime ditatorial iraniano é vista de dentro, do seio familiar do opressor, onde a paranoia eclode e expõe a corrupção sistemática da política vigente no Teerã. A subestimação social da mulher faz parte de um projeto e maquina de poder, e a trama provoca essa reflexão da forma mais incômoda que a vida real apresenta.

A HORA DO MAL de Zach Cregger (HBO Max)

Weaponstrailer1

Porque a construção dramática e dramaturgica que Cregger promove aqui, parece despreocupada em seguir qualquer maneirismo do gênero terror e, mesmo estruturalmente, não sendo nada de novo, a habilidade com que ele entrelaça seus pontos-de-vista até o final (que dificilmente você vai esquecer) demonstra que seu cinema vai muito além do que se espera de um terror comum.

MANAS de Marianna Brennand Fortes (Telecine)

Manas

Porque quando Marianna desiste de fazer um documentário sobre a prostituição infantil incrustada na Ilha de Marajó, para preservar as identidades das vítimas, ela transformou sua ficção num libelo sobre a resistência daquelas que sobrevivem, com a urgência e a sensibilidade necessárias para seu impacto como registro de uma realidade perturbadora.

VALOR SENTIMENTAL de Joachim Trier (em cartaz)

Valor Sentimental

Porque Trier segue sendo quem melhor dá forma as complexidades emocionais num cinema tão cartesiano quanto o escandinavo, e aqui ele elabora a sinuosidade da dor da falta no seio familiar e a complexidade da busca da cura sobre esses seres, numa triangulação comovente entre Renate Reinsve, Stellan Skarsgard e Inga Ibsdotter Lilleaas. Intenso.

TWINLESS de James Sweeney (em cartaz)

Twinless

Porque em seu primeiro longa, James Sweeney é tão sensível quanto esperto ao fazer do encontro entre dois indivíduos em luto (ou não!), uma elaboração sobre inadequação emocional. Mesmo sob verniz de “filme indie”, sobressaem personagens demasiadamente humanos e criveis e um roteiro que abraça sem medo o viés psicanalítico.

HOMEM COM H de Esmir Filho (aluguel digital)

Homem com H

Porque enquanto, normalmente, nosso cinema patina na maneira esquemática com que investe em cinebiografias, Esmir Filho aborda Ney Matogrosso por sua liberdade crônica, o que desmonta qualquer traço de caretice dramaturgica. Ney conduz sua narrativa e não o contrário. Deu certo.

BUGÔNIA de Yorgos Lanthimos (em cartaz)

Bugonia

Porque Yorgos volta a investir numa crueza estranha de seus primeiros filmes, mas com fortes tintas discursivas, sobretudo pela guerra de narrativas da qual o mundo chafurda hoje. É brilhante como ele  trabalha a paranoia e aonde ela nos leva no seu final tão literalmente alegórico.

ENFORCADOS de Fernando Coimbra (Telecine)

Enforcados

Porque Coimbra orquestra dois grandes atores em grandes papeis – Leandra Leal e Irandhir Santos – numa versão carioca, suja e sangrenta de Macbeth. Assim como seu excelente filme de estreia de 2013, “O Lobo Atrás da Porta”, há um fatalismo trágico que ele sabe ir moldando com sutileza e aqui explode na tela com absoluta competência.

OESTE OUTRA VEZ de Erico Rassi (Globoplay)

Oeste Outra Vez

Porque ao investigar as bases da masculinidade numa espécie de western brazuca, Rassi usa o silêncio como narrativa e as cores quentes do sertão de Goiás, como elemento corrosivo de um Brasil profundo de vazios humanos.

APOCALIPSE NOS TRÓPICOS de Petra Costa (Netflix)

Apocalipse nos Tropicos

Porque o acesso que Petra conseguiu nas entranhas do avanço da religião na política brasileira é primordial e sintomático para a força que seu documentário possui. Seu estilo sempre abre discussões, mas aqui essa característica só reforça o quanto o cinismo institucional está transformando a política num balcão de negócios fundamentalista.

O ÚLTIMO AZUL de Gabriel Mascaro (em cartaz)

O Último Azul

Porque a alegoria criada por Mascaro, além de ser muito inteligente ao que propõe (a redação do ENEM que o diga!), mostra o quanto nosso cinema vai além da “cosmética da fome” (!) e de investigações sobre ditadura militar.

A VIZINHA PERFEITA de Geeta Gandbhir (Netflix)

A Vizinha Perfeita

Porque esse documentário da Netflix oferece uma dolorosa aula de como se valer de imagens absurdamente reais para traçar um contundente retrato das feridas sociais abertas que desmascaram o American Way of Life, sobretudo no governo atual deles.

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