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Reencontrando a Felicidade


O cartaz que trazia Aaron Eckhart e Nicole Kidman nunca me foi convidativo. Ele, sempre um ator burocrático e sem graça, ela uma diva em decadência. A sinopse dizendo que esta era a adaptação de uma peça sobre um casal amargurado que tenta superar a morte de seu único filho também pouco ajudou.

Mas um nome ali, naquele mesmo cartaz, garantiu a película na minha lista de filmes imperdíveis, John Cameron Mitchell, o diretor dos insanos Hedwig and the Angry Inch (que também protagonizou) e Shortbus. Curioso para saber que maluquice Mitchell havia aprontado, acabei me espantando com a sutileza com que ele trabalhou o material.

Becca (Kidman) e Howie (Eckhart) são um casal suburbano americano que tinham uma vida perfeita – não só nas aparências – até que um acidente de carro lhes tomou seu único filho. Após 8 meses, as feridas não se fecharam e cada um tenta lidar com essa perda da sua maneira. Howie tenta seguir em frente com a vida e dar o melhor suporte possível à Becca, que não consegue se esquecer por um minuto sequer do que aconteceu e continua em seu constante luto. Tudo o que fazem, desde rever amigos, fazer compras com familiares, participar de um grupo de ajuda e manter relações sexuais, parece um martírio, principalmente para a esposa.

Em meio à crise no relacionamento e com os familiares de Becca, principalmente sua mãe (Diane Wiest), Howie começa a ficar muito próximo de Gaby (Sandra Oh), parceira nas sessões de grupo para pais que perderam seus filhos, e Becca se aproxima de Jason (Miles Teller), um estudante do ensino médio com quem tem um histórico – me viro do jeito que posso para não soltar spoilers. Jason, aliás, está desenhando uma HQ no filme, que na real são desenhos de Dash Shaw.

Seria um prato cheio para um melodrama arrastado e espesso, mas Mitchell conseguiu segurar a mão na maneira certa. É impossível saber como se sente uma pessoa nessa situação, mas podemos sentir que aqui temos reações e desdobramentos bastante plausíveis, sem afetamento, sem muito choro. E apesar de ter uma história concisa e muito bem escrita pelo dramaturgo David Lindsay-Abaire, o que realmente se sobressai são as atuações de todo o elenco, principalmente Kidman e Eckhart (para meu espanto). Talvez o filme não tenha recebido todas as indicações que merecia ao Oscar, mas quem se importa com isso?

[xrr rating=4/5]

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