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Simpático, “Entre Idas e Vindas” é um filme de afetos

Num período assolado por blockbusters ianques, a estreia de um road movie afetivo brasileiro é quase um bálsamo. Entre Idas e Vindas (em cartaz desde 21 de julho) do cada dia mais prolífero José Eduardo Belmonte, foge bastante da repetição de gêneros que assola nosso cinema. E essa habilidade fica bem clara nos planos e perspectivas escolhidas para contar essa história, relativamente manjada, mas que aqui ganha uma dimensão a cerca das lacunas emocionais que carregamos pela vida.

Um professor, Afonso (Fábio Assunção), está levando o seu filho, Benedito (João Assunção, filho do ator, estreando bem na função), para São Paulo para rever a mãe, em seu velho carro, uma Lada. Quatro amigas e colegas de trabalho em um atendimento de telemarketing de uma empresa, Amanda (Ingrid Guimarães), Sandra (Alice Braga), Cillie (Carol Abras) e Krisse (Rosanne Mulholland), como uma despedida de solteira para Sandra, conseguem emprestado um motorhome do tio de Amanda e viajarão ao litoral paulista. A história se dá do encontro e posterior convergência dessas pessoas, com seus dramas pessoas e lições de vida.

O roteiro busca essa justificativa (da tal lacuna emocional de cada um deles) o tempo inteiro ao longo da trama, visando assim, cativar a atenção e o envolvimento emocional do espectador. Para tal, Belmonte se mune de um elenco que interpreta de diferentes maneiras essa proposta. E todas de formas bem eficientes. O desenvolvimento do roteiro se dilui de maneira previsível demais em seu ato final, quase banalizando o que foi construindo até ali.

Mas Belmonte ainda carrega em si os lapsos criativos e estéticos dos primeiros trabalhos (como o notável A Concepção) e seu filme tem uma embalagem cuidadosa e que reforça os conflitos que deixam seus personagens críveis e assimiláveis. Entre Idas e Vindas pode até perder o fôlego, mas sua estabilidade emocional o redime de julgamentos mais criteriosos.

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