Há muito tempo eu prego que o cinema nacional não se dá o devido respeito, tentando criar polêmica para chamar a atenção ao invés de criar boas histórias e as contar na telona. O público de cinema nacional é um tanto quanto, como dizer, desprovido de senso crítico? Boas produções acabam passando em branco em detrimento daquelas feitas com um orçamento mais elevado e que castigam o espectador com imagens fáceis de analisar.
Filmes inteligentes raramente ganham espaço, perdendo para espetáculos populescos como as comédias produzidas pela Globo. Na última quinta-feira esses espetáculos ganharam sua infâmia máxima quando o Festival de Gramado, que alguns anos atrás era um dos melhores termômetros das boas produções nacionais, resolveu premiar quem paga mais, ou melhor, quem vende mais, no caso, a Globo, através de sua embaixatriz maior: Xuxa Meneghel.
Xuxa, moça simples, de família simples, saiu do interior do Rio Grande do Sul para se tornar a Rainha dos Baixinhos e levar mais de 36 milhões de espectadores aos cinemas. Esse foi o embasamento para premiar ela com o Prêmio de Rainha do Festival… Perceberam o silêncio na sala? Ninguém fala nada, deixa que eu falo.
Nossa querida Xuxa, que eu concordo, fez muito em prol das crianças, é o maior exemplo de uma pessoa que quer esconder seu passado e somente se dedicar a imagem que passa ao público. O Morcelli falou essa semana sobre o filme “Os Sete Gatinhos”, bem, eu falo aqui sobre “Amor, Estranho Amor” de Walter Hugo Khouri que, com certeza foi o melhor filme da carreira da apresentadora, e o qual ela renega e até impetrou uma ação que proibe a venda deste, tudo porque em uma cena… péra, melhor que falar, vamos ver a cena.
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Essa sim é a Rainha dos Baixinhos!!! Tem vergonha de fazer filme bom e artístico? Em seu discurso em Gramado, ela disse que não tinha vergonha de vir de onde veio. Será que não?
Gramado, que um dia foi respeitado, se resignou a aceitar o patrocínio da Globo. R$ 60 mil de cachê para ela receber um prêmio segundo um jornal da cidade? Isso é troco de pinga devem ter pensando os organizadores. Vai chamar a atenção e a gente ganha patrocínio. Ano que vem, Gramado terá grandes banners do Wall Mart, Casas Bahia e Cinemark. Enquanto isso, Xuxa continuará sendo quem é, uma artista hipócrita que quer esconder seu passado, seja este como a prostituta Tamara de “Amor, Estranho Amor”, seja como a namorada do Pelé que posou na Playboy.
Em seu discurso, ela disse: “Sou loura, sou vencedora e sou do povo”. Parabéns, isso mostra que não basta ser inteligente, tem que ser gostosa e oferecer espetáculos a população que se ganha qualquer coisa no país. E ainda complementou a um repórter no local: “Eles tiveram de me engolir!” Mais??? A gente vai ter que te aturar mais?
O ator José Victor Castiel, apresentador do evento ao lado de Renata Boldrin, anunciou o próximo filme concorrente e conclamou a todos: “Vamos voltar ao Cinema”, é isso mesmo que aconteceu. Houve um recesso para a arte dar espaço ao marketing pessoal.
Xuxa, em verdade é uma bela atriz, sempre soube interpretar seu papel. Da mundana Maria das Graças, virou Xuxa, um fenômeno quase internacional.
Não gosto de Xuxa, não gosto dos espetáculos insôssos que ela costuma participar e não gosto da idéia do cinema nacional estar se vendendo por tão pouco. O Festival de Gramado e seus organizadores conseguiram cair milhares de degraus na escadaria que leva ao reconhecimento internacional. A homenagem a Renato Aragão, o eterno Didi dos Trapalhões, no ano passado, teve muito mais embasamento cinematográfico do que os filmes protagonizados por Xuxa, inclusive os que Trapalhões e Xuxa se misturavam, é só ver a cena abaixo, de “Princesa Xuxa e os Trapalhões”:
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Gbx4RJ3LuHA[/youtube]
Essa atuação foi digna de Van Damme!!
Quando um festival de cinema homenageia um ator ou atriz por sua obra, nada mais justo que falar dos filmes. Xuxa foi homenageada por suas ações sociais, seu carisma e sua atração de público a bilheteria e não por seus filmes. É a mesma coisa que chamar George Lucas para o prêmio de melhor diretor porque ele inventou o THX. Lucas nunca foi um bom diretor e Xuxa nunca foi uma boa atriz, afinal, ultimamente ela só interpreta a si mesma, ou seja, demonstra que para ser Xuxa, tem que fingir, interpretar. É simples assim.
Agora, quem tem que a engolir somos nós, e o Festival de Gramado, que se afunde mais e mais na ganância de seus organizadores.
J.R. Dib








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