Plaquete Ficção que chamo de EU (A5)
LançamentosLiteratura

Luciana Palhares lança na Flip 2026 uma autoficção sobre infância, memória e as histórias que contamos sobre nós mesmos

Escritora luso-brasileira revisita episódios marcantes da primeira infância em uma obra fragmentada que investiga identidade, percepção e pertencimento

Quem somos quando retiramos as versões que construímos sobre nós mesmos? Em um tempo marcado pela exposição constante da vida privada nas redes sociais, a escritora, atriz, performer e terapeuta Luciana Palhares propõe um movimento inverso: voltar ao início. Em Ficção que chamo de eu, obra que integra a coleção de plaquetes 2026 da Tato Literário e será lançada durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a autora revisita episódios da infância para investigar as origens da identidade, as perdas de inocência e os processos de interpretação que moldam a vida adulta.

Luciana fará uma sessão de autógrafos no dia 23 de julho, às 11h, no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!, no Centro Histórico de Paraty.

A publicação reúne treze mini crônicas inspiradas em acontecimentos da primeira infância. Entre descobertas, assombros, incompreensões e pequenos traumas cotidianos, a autora constrói uma narrativa fragmentada que convida o leitor a ocupar os espaços deixados entre as lembranças. O resultado é uma obra que transita entre a crônica, o conto e a autoficção, transformando experiências particulares em reflexões universais sobre família, pertencimento e formação subjetiva.

A origem do projeto surgiu após a mudança da autora para fora do Brasil. Depois de concluir 37, texto em que refletia sobre a própria trajetória até aquele momento da vida, Luciana sentiu a necessidade de aprofundar sua investigação autobiográfica.

“Quando deixei o Brasil escrevi ‘37’, refletindo sobre a vida que levei até aquele momento. Senti necessidade de seguir na minha arqueologia pessoal. Comecei a lembrar das histórias marcantes. Fui buscar lá no início e fui colecionando as mini crônicas-causos que integram essa plaquete”, conta.

Mais do que recuperar lembranças, a autora utiliza a memória como ferramenta de compreensão. Para ela, as histórias reunidas no livro dialogam diretamente com as relações familiares e com a forma como reinterpretamos nossa própria formação ao longo da vida.

“Se houvesse uma mensagem, seria: nossos pais fizeram o que sabiam. O resto é interpretação e perspectiva”, afirma.

Um ritual de reencontro com a criança interior

Ao longo da escrita, Luciana percebeu que o projeto ultrapassava os limites da literatura e assumia também um papel de elaboração emocional. O processo incluiu não apenas a escrita dos textos, mas a gravação em áudio das histórias, criando uma experiência de escuta de si mesma.

“Esse livro é uma espécie de ritual de honra à minha criança interior. Escrever, me ler, depois gravar os áudios e me ouvir contando as histórias fez com que algumas coisas se acomodassem dentro de mim. Me reconheci. Encontrei algo parecido com paz”, revela.

A proposta dialoga com uma linha de investigação presente em toda a sua trajetória literária. Em seus livros anteriores, Pequenas Verdades e Outras Histórias e Para Entender Uma História de Amor, a autora já explorava as fronteiras entre verdade, percepção e ficção. Em Ficção que chamo de eu, essa pesquisa se aprofunda por meio da narrativa episódica e da autoficção.

“Cada episódio funciona sozinho, mas o encontro deles gera um significado outro. Descrevo uma situação, um mundo interior e deixo espaço para que o leitor complete a experiência. Aprecio essa forma fragmentada de criar um todo”, explica.

Entre a literatura, o teatro e a performance

Atriz, performer e escritora, Luciana leva para a literatura elementos de diferentes linguagens artísticas. Os textos de Ficção que chamo de eu carregam ritmo teatral, humor, ironia e recursos de montagem inspirados pelo cinema. Entre suas referências estão autores e artistas como Anaïs Nin, Nelson Rodrigues, Milan Kundera, Sophie Calle e Annie Ernaux, que transformaram experiências pessoais em matéria estética.

“Talvez sejam os meus textos mais teatrais. Há o ritmo das narrativas, o humor e a ironia dos sitcoms, a edição do cinema. Também existe algo da acidez do Nelson Rodrigues, da liberdade da Anaïs Nin, dos fragmentos de Kundera e da maneira como artistas como Sophie Calle e Annie Ernaux utilizam a própria vida como material criativo”, comenta.

Ao transformar lembranças em literatura, Luciana propõe uma reflexão sobre a fragilidade das certezas e a natureza mutável da memória. Afinal, toda autobiografia carrega algo de invenção — e toda ficção, em alguma medida, também fala de quem a escreve.

Sobre a autora

Luciana Palhares é escritora luso-brasileira, nascida no Rio de Janeiro. Atriz, performer e terapeuta, atua com escrita terapêutica, tarot, constelação familiar e radiestesia. Sua produção literária investiga temas como memória, identidade, percepção e as fronteiras entre realidade e ficção.

É autora de Pequenas Verdades e Outras Histórias (2022) e Para Entender Uma História de Amor (2025). Em 2023, foi finalista do 3º Prêmio MicroConto de Ouro e, em 2024, passou a integrar a Coletânea de Cronistas Contemporâneos. Atualmente prepara o livro de contos A Vida Não Sabe de Pontos Finais.

Sobre a coleção de plaquetes da Tato Literário

Ficção que chamo de eu integra a coleção de plaquetes 2026 da Tato Literário, selo editorial da com.tato. Inspirada na cultura dos zines e no movimento Do It Yourself (Faça Você Mesmo), a coleção reúne quatro autoras selecionadas a partir da terceira edição do minicurso “Plaquetes: espaço para experimentação”, ministrado pela poeta e mediadora de leitura Thaís Campolina.

Pela primeira vez, as obras publicadas compartilham um eixo temático comum: a memória. Embora transitem por diferentes gêneros e propostas estéticas, os títulos exploram lembranças, heranças afetivas, identidade e transformação a partir de perspectivas distintas.

Sobre a com.tato

A com.tato é uma agência que tem como objetivo fortalecer a imagem de autores, autoras e editoras independentes. Formada por profissionais distribuídos em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Acre, oferece serviços de assessoria de imprensa, consultoria para redes sociais, relacionamento com influenciadores, participação em eventos literários e produção cultural.

Ficha técnica

Título: Ficção que chamo de eu
Autora: Luciana Palhares
Gênero: Autoficção / Crônicas
Editora: Tato Literário (selo da com.tato)
Ano: 2026
Lançamento: 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no dia 23, de julho, às 11h
Venda: Estande da com.tato na Casa Escreva, Garota!

Deixe um comentário

Sugeridos
Amazonicas Poeticas Femininas Foto Ana Paula Amorim
Lançamentos

Exposição “Amazônicas: poéticas femininas”, no CCBB RJ

Com o objetivo de ampliar as discussões em torno da exposição “Amazônicas:...

Claro
LançamentosTecnologia

Guia Completo sobre a Claro: Planos, Cobertura 5G e Serviços Residenciais

A escolha de uma operadora de telecomunicações confiável é fundamental para garantir...

IMG
Lançamentos

Guantas transforma os perrengues da vida adulta em humor em novo videoclipe

Problemas no trabalho, transporte público lotado, geladeira vazia e a sensação de...

Cee23e4c b272 4d70 b0ea 059a6e37bd1a
LançamentosLiteratura

Peter Peuker reúne 76 anos de memórias em “Aventura Tropical”

Engenheiro civil nascido em Viena, autor chegou ao país aos três anos...

Sleep Tales Music lab A linguagem dos pássaros
LançamentosMúsica

“A Linguagem Dos Pássaros” de Sleep Tales Music Lab

Dando sequência aos lançamentos do projeto Sleep Tales Music Lab, o selo...

PIC CCCC Chiara Civello + Clap Clap (5) ph credits Umberto Lopez
LançamentosMúsica

Chiara Civello e Clap! Clap! no single “My Grief And I”

Dando continuidade ao projeto colaborativo CCCC, a aclamada cantora e compositora italiana...

“Júlia Lopes de Almeida Um Fenômeno Literário na Cena Carioca
AgendaLiteratura

Júlia Lopes de Almeida em exposição nas bibliotecas José de Alencar e Marques Rebelo, no RJ

A escritora Júlia Lopes de Almeida (1862–1934) ganha destaque na exposição “Júlia Lopes de Almeida:...

MotleyPressPhoto
LançamentosMúsica

Mötley Crüe lança versão de “Take Me To The Top”

Pela primeira vez, a versão original de 1981 lançada pela Leathür Records...

Crédito Kevin Velásquez
LançamentosMúsica

FloyyMenor lança Off The Planet

Chileno FloyyMenor lança em todas as plataformas de streaming o novo EP...

MISSAO FACÇÃO CAIPIRA
LançamentosMúsica

Facção Caipira lança single “Missão”

Dando continuidade aos lançamentos que antecedem o álbum O Retorno, a banda...

WRY POR ERIC MARQUES
LançamentosMúsica

WRY lança single “Décimo Andar” 

A banda paulista WRY apresenta em todas as plataformas de streaming o...

Brazino777 games
Lançamentos

Jogos de navegador: por que mais usuários preferem jogar online

Os jogos de navegador voltaram a ganhar espaço no entretenimento digital porque...