A violinista e compositora Paloma Pitaya lança nas plataformas digitais, em 25 de setembro, “Caprichoso Brasil”, seu primeiro álbum autoral. O disco parte de uma ideia simples e ambiciosa, de investigar a diversidade da música brasileira a partir do violino e transformar 13 ritmos em 13 obras originais, aproximando a tradição da música popular do universo da formação clássica da artista.
O álbum nasce do livro de partituras para violino solo de mesmo nome, concebido por Paloma durante sua residência artística na Fundación Antonio Gala para Jóvenes Creadores, na Espanha, entre 2019 e 2020. Publicada em 2026 pela Editora Ilustre, a obra teve mais de 100 exemplares vendidos já no primeiro mês e passou a circular entre violinistas de diferentes regiões do Brasil.
Paloma amplia radicalmente o universo inicialmente pensado para um único instrumento. O violino e a rabeca dialogam com percussões brasileiras, violões, sanfona, baixo elétrico e quarteto de cordas, criando arranjos que transitam entre o rigor da música de concerto e a pulsação das tradições populares. Entre os convidados estão dois nomes de destaque da música instrumental brasileira: Alessandro Penezzi, no violão de sete cordas, e Danilo Brito, no bandolim. Os dois participam de arranjos que exploram virtuosismo, improvisação e riqueza tímbrica, reforçando o caráter brasileiro e contemporâneo do projeto.
No disco, Paloma revisita a forma musical do capricho — tradicionalmente associada ao virtuosismo instrumental — para criar uma espécie de mapa afetivo e sonoro do Brasil. O repertório passa por forró, bossa nova, baião, milonga, choro, maxixe, maracatu, frevo, cavalo-marinho, chacarera, xote e samba, em composições inteiramente autorais.A escolha dos ritmos revela uma pesquisa que não pretende reproduzir simplesmente gêneros conhecidos, mas investigar como eles podem ser reinterpretados por uma compositora de formação erudita e traduzidos para a linguagem do violino. O resultado é um álbum que coloca em diálogo universos frequentemente tratados como opostos. Em vez de separar popular e erudito, tradição e experimentação, virtuosismo e emoção, Paloma constrói pontes entre essas linguagens.“Capricho Brasileiro” é, nesse sentido, tanto um disco de música instrumental quanto uma investigação sobre identidade. O violino deixa de ocupar apenas o território associado à música de concerto e assume sotaques, ritmos e gestos de diferentes regiões da América Latina e do Brasil.
Uma trajetória entre o Brasil e o mundo
Violinista, compositora e pesquisadora da música brasileira, Paloma Pitaya construiu uma trajetória que combina formação erudita, atuação internacional e pesquisa sobre as tradições musicais latino-americanas.Formada na Academia de Música da Osesp, onde estudou entre 2021 e 2023, participou de turnê pelos Estados Unidos com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e se apresentou no Carnegie Hall. É graduada em Violino pela Universidade Federal de Santa Maria, especialista em performance pela Academia Internacional Galamian, na Espanha, e recebeu um Artist Diploma pela Gabriela Ortiz Composing Studio da OAcademy.Foi compositora residente da Fundación Antonio Gala, na Espanha, onde nasceu o projeto “Capricho Brasileiro”. Seu trabalho foi reconhecido pelo Prêmio Profissionais da Música, com vitórias em 2023, na categoria Melhor Autora Instrumental, e em 2025, como Melhor Instrumentista Erudito Feminino.Ao longo da carreira, integrou orquestras e grupos de câmara no Brasil, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Suécia, além de participar de festivais como Amazônia Eco Música, América Latina e Ecos Latinos Americanos. Atualmente, é spalla da Orquestra Sinfônica de Mato Grosso.
Ficha técnica
Paloma Pitaya — violino, rabeca, composições e produção musical
Músicos convidados:
- Alisson Lima — ganzá, baje
- Claudinho Santana — pandeiro, zabumba, triângulo e coco
- Trio Cordas — Gabriel Meca (violino), Ederson Fernandes (viola) e Victor Luiz Franzotti (contrabaixo)
- Rafael Toledo — pandeiro, reco-reco e agogô
- Xeina Barros — tantan, tamborim, shaker e pandeiro
- Nanda Guedes — sanfona
- Ricardinho Paraíso — baixo elétrico
- Alessandro Penezzi — violão de 7 cordas
- Fernando Graciola — violão
- Gonzalo Diaz — percussão
- Danilo Brito — bandolim
- Eduardo de Guzmán — violão
- Alfredo Tosto — bateria, caxixi e shekere
Gravação: Gugastro Estúdio
Gravação: Renato Soares
Mixagem e masterização: Thiago Monteiro
Foto da capa: Estúdio Thiago Drummond












