AgendaLiteraturaTeatro

Livro sobre diretora que revolucionou o teatro gaúcho será lançado em Porto Alegre

Maria Helena Lopes foi uma das primeiras encenadoras do Rio Grande do Sul — foto: arquivo pessoal


  O livro No Tear da História, Maria Helena Lopes retrata uma das mais importantes páginas do teatro no Rio Grande do Sul. Assinada pela pesquisadora e historiadora Juliana Wolkmer, a obra conta a trajetória de uma das primeiras e mais consagradas diretoras teatrais profissionais do estado. Haverá vitrine de lançamento com um bate-papo com a autora e o ator Sergio Lulkin, que integrou o Grupo Tear, durante a Feira do Livro de Porto Alegre. O encontro será no dia 2 de novembro, domingo, às 15h, no Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 — Centro Histórico de Porto Alegre). Depois, às 16h, está prevista uma sessão de autógrafos. A publicação custa R$ 70,00 e já está disponível pela internet (http://www.libretos.com.br). 

 Maria Helena Lopes nasceu em Pelotas em 1934 e morreu em abril deste ano em Porto Alegre. Chamada apenas de Lena pelos colegas, dirigiu vinte espetáculos — dez deles no Grupo Tear (1980-2002), companhia que fundou e cujas montagens marcaram as artes cênicas brasileiras. A artista colecionou prêmios nacionais, como o Troféu Mambembe e o Prêmio Governador do Estado de São Paulo por Crônica da Cidade Pequena (1984). Na capital gaúcha, as produções da trupe também ganharam vários Prêmios Açorianos e Tibicuera com destaque para Quem Manda na Banda (1981), Os Reis Vagabundos (1982) e Império da Cobiça (1987). Ela atuou ainda durante quase três décadas (1967-1994) como professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Sobre os palcos ou fora deles, foi uma mestra que influenciou gerações por meio de um trabalho marcado pela exigência, sensibilidade e criatividade. 

— Em um período ainda marcado por um teatro centrado no texto, no final dos anos 1960, a Lena abriu novos caminhos ao valorizar o trabalho a partir do corpo, da improvisação e da criação individual de cada artista. Estudou com Eugênio Kusnet, mestre russo radicado no Brasil, trazendo para a universidade a pesquisa de Constantin Stanislavski sobre a atuação. Na década de 1970, tornou-se uma das primeiras brasileiras a estudar na Escola Jacques Lecoq, em Paris, difundindo não só a metodologia do mestre francês em sala de aula, mas também incorporando-a em seus espetáculos e introduzindo linguagens ainda pouco exploradas no país, como o clown e o bufão — explica Juliana Wolkmer

A autora conseguiu reunir, em 204 páginas, um material riquíssimo fornecido pela família da encenadora, além de informações obtidas em entrevistas com a própria diretora e profissionais que trabalharam com ela. Com selo da Editora Libretos, a publicação conta com 160 imagens, incluindo cartas e fotos das peças. A coordenação editorial e o design gráfico são de Clô Barcellos e a arte da capa é de Mitti Mendonça.

— A história da Maria Helena já me acompanha há alguns anos. Ela esteve presente nas minhas pesquisas de mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS, na qual escrevi sobre a trajetória docente dela. Além disso, tive a alegria de conhecê-la pessoalmente e cultivar uma amizade com ela, o que tornou esse processo ainda mais especial. Esse mosaico de registros foi fundamental para construir uma narrativa viva e fiel da sua carreira artística e pedagógica — complementa a autora.

Nelson Diniz e Jezebel de Carli no espetáculo “Shakesperience” — foto: Cristina Lima

A iniciativa terá ainda um circuito de palestras sobre a carreira da diretora nas cidades de Porto Alegre, Pelotas e Santa Maria, além da democratização e digitalização do acerco do Grupo Tear, o primeiro de um grupo de teatro a fazer parte dos Acervos Permanentes da Cultura — SEDAC/RS. O projeto tem o financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Edital SEDAC nº 31/2024Memória e Patrimônio

>> A AUTORA:

Juliana Wolkmer é historiadora, pesquisadora, professora e atriz. Também é Doutora e Mestra em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É autora do livro DAD: História e Memória (Libretos) e desenvolve pesquisas em história oral, teatro gaúcho, ensino de teatro e história das mulheres. Formada em História (UFRGS) e Interpretação Teatral — Licenciatura (Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS), a trajetória de Juliana transita entre teatro, cinema e televisão. Nos palcos, recebeu o Prêmio Tibicuera de melhor atriz coadjuvante pelo espetáculo O Mirabolante Rei das Tretas e atuou em produções como Mulheragem (Dir. Guadalupe Casal), Orfeu (Dir. Camila Bauer) e Aos Sãos (Dir. Thaís Andrade). No cinema, integrou os elencos de Legalidade (Dir. Zeca Brito), Disforia (Dir. Lucas Cassales) e Coexistência (Dir. Thiago Wodarski). Na televisão, participou das séries Taxitramas, A Benção e Oráculo das Borboletas Amarelas. Como professora, lecionou na rede estadual de ensino, no curso de graduação em Teatro da UFPel e em cursos livres de diversas instituições. Foi idealizadora dos projetos Canal História do Teatro, Oficina Cena AbertaBrecht Pulsa Poesia e Itinerários da História do Teatro. Juliana foi ainda contemplada com os prêmios Trajetórias Culturais Mestra Griô Sirley Amaro (2021) e Multilinguagens Memória, Museu e Patrimônio (2023). Em 2024, recebeu indicação ao Prêmio Quero-Quero de Pesquisa/SATED-RS.

>> PROGRAMAÇÃO:

QUANDO: 02/11, domingo, a partir das 15h. 

ONDE: Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 — Centro Histórico de Porto Alegre)

QUANTO: As atividades são gratuitas. O livro custa R$ 70,00 e estará à venda na sessão de autógrafos e também pela internet (www.libretos.com.br)

Arte da capa: Mitti Mendonça

Deixe um comentário

Sugeridos
AgendaMúsicaShows

Flávio Venturini comemora 50 anos de carreira com show no Rio

Bastidores, hinos da MPB no Circo Voador Cinco décadas dedicadas à criação...

LançamentosLiteratura

Escritor Douglas Robberts lança “Meninos avessos, duendes travessos”

Nova obra de Douglas Robberts apresenta o encontro inesperado entre dois meninos...

Agenda

Los Bodegueros lançam álbum de estreia Rio Habana em conexão histórica entre o samba e os ritmos cubanos

Projeto FOI gravado entre  Rio e Havana conta com participações de Áurea...

Agenda

Paço Imperial realiza seminário sobre a produção artística do Nordeste

Com o objetivo de refletir sobre a produção artística da região Nordeste...

LançamentosLiteratura

Romance premiado sobre violência contra a mulher percorre Sesc RJ

Selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, “Açougueira”, de Marina Monteiro,...

AgendaSem categoria

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda na Funarte SP

Ainda sem uma posição sobre um novo terreno para o Teatro de...

Agenda

‘Dia de Festa’no Teatro Sabesp Frei Caneca

A criançada pode esperar muita brincadeira, diversão e interatividade nos shows que...

AgendaTeatro

“O Filho das Mães” em Ipanema

Comédia escrita há mais de duas décadas retorna aos palcos pela primeira...

AgendaTeatro

“O Espírito da Coisa” estreia na Tijuca

A moralidade e o desejo entram em rota de colisão em uma...

AgendaMúsicaShows

Das Cinzas à Música: Paulinho Moska Traz Seus “Violões Fênix” ao Rio de janeiro

Em apresentações carregadas de simbolismo e poesia, o cantor dá voz a...

AgendaArtes Visuais

MACS recebe estreia brasileira do projeto Gravitas

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) recebe, a partir de...

AgendaTeatro

Sidarta em São Paulo no Teatro Estúdio

A vida e a iluminação de Buda são o ponto de partida...